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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026

Recortes Cotidianos

A cidade que a gente carrega

Por Natália Carvalho

Natália Carvalho
Por Natália Carvalho
A cidade que a gente carrega
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Guaíba completa 100 anos. E, embora um século seja tempo suficiente para contar muitas histórias, hoje quero falar de uma que conheço bem. Foi em Guaíba que dei meus primeiros passos, frequentei a escola Gomes Jardim, fiz parte do ONDA na Igreja Nossa Senhora do Livramento, fiz amigos, conheci pessoas que permanecem na minha vida e outras que, mesmo seguindo caminhos diferentes, continuam fazendo parte de quem sou. Foi aqui que cresci, trabalhei, fiz escolhas, mudei de ideia inúmeras vezes, comecei de novo. 
Existe algo curioso na relação que construímos com a cidade onde vivemos: quando somos crianças, ela parece enorme. As ruas são compridas, os trajetos parecem aventuras e qualquer passeio um pouco mais distante tem gosto de novidade. Crescemos, o mundo aumenta e a cidade parece diminuir. Sempre gostei de sair, conhecer lugares, experimentar outras paisagens e imaginar como seria viver em outras cidades. Mas há uma sensação que nenhuma dessas experiências substitui: a de saber que, no fim, é para cá que vou voltar. Talvez seja isso que chamamos de pertencimento. 
Existe uma Guaíba que não aparece nos mapas, nos números ou nos discursos oficiais. É aquela que cada um de nós carrega na memória. A cidade das conversas que aconteceram nas calçadas, nas brincadeiras na rua, dos encontros inesperados no supermercado, dos rostos conhecidos, das escolas, das amizades de infância. A cidade onde uma rua pode despertar uma lembrança e onde determinados lugares guardam histórias que só nós sabemos contar.
Às vezes, passamos pelos mesmos caminhos tantas vezes que deixamos de perceber o quanto eles significam. Até que alguma coisa muda: uma casa desaparece, um comércio fecha, uma rua ganha outra aparência. E percebemos que a cidade também envelhece, se transforma e segue vivendo, assim como nós.
Hoje, vejo minha filha construindo suas próprias memórias por aqui. E acho bonito pensar que alguns lugares que fizeram parte da minha infância também farão parte da dela, ainda que com outros significados. É como se a cidade fosse escrevendo capítulos diferentes de uma mesma história, atravessando gerações.
Gosto de saber que existe um lugar no mundo onde não preciso de mapas para encontrar o caminho. Onde as ruas são familiares, as lembranças aparecem nas esquinas e a nossa história continua acontecendo. Feliz centenário, Guaíba. Obrigada por ser casa e abrigar as paisagens e pessoas que amo.

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Natália Carvalho

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Natália Carvalho

Meu nome é Natália Carvalho, tenho 35 anos. Quando pedem para falar sobre quem somos, a primeira versão que vem é a profissional: sou publicitária, mestranda em comunicação. Trabalhei em agências de comunicação e publicidade, depois fui...

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