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Domingo, 19 de Abril de 2026

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Aos 96 anos, mulher volta a estudar

Iara Costa retorna a escola no projeto 60+ da Escola Solon Tavares no bairro Santa Rita

Valmir Michelon
Por Valmir Michelon
Aos 96 anos, mulher volta a estudar
Valmir Michelon
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Dados do Censo de 2022 apontam que havia 166 mulheres entre 90 e 94 anos em Guaíba, além de 63 homens nessa mesma faixa etária. Entre elas está Iara Costa, que completa 96 anos no dia 1º de abril e que voltou a estudar neste ano, no curso 60+, na Escola Solon Tavares, no bairro Santa Rita. 
O curso oferece noções de informática. “Nem tinha me dado conta de que já passei dos 90 anos”, brincou, ressaltando como a vida passa rápido. “Busco viver uma vida saudável, não gosto da tristeza e procuro conviver com as pessoas”, disse.
Iara teve 12 irmãos; dois morreram ainda crianças, e ela conviveu com os outros dez, todos já falecidos. Não teve filhos. Teve um relacionamento que não deu muito certo e optou por morar sozinha.
Natural de Camaquã, nasceu no dia 1º de abril de 1930 e logo foi morar com a família em São Jerônimo. “Meu pai era ferreiro e foi convidado a trabalhar em uma granja de arroz. Lá ficamos até 1943, quando nos mudamos para a Granja Pesqueiro, que na época pertencia a Guaíba”, lembra.

Ela conta que uma professora dava aulas na granja e que estudou até o quarto ano, tendo optado por repetir para continuar nos estudos. Segundo Iara, a diretora da Escola Normal (hoje Instituto Gomes Jardim, de Guaíba) chegou a avaliar seu desempenho. “A diretora sugeriu à família que eu fosse estudar em Guaíba, mas não tínhamos recursos, e tive que parar de estudar até completar 18 anos, quando fui trabalhar em Porto Alegre.”
Ao longo da vida, atuou em diferentes áreas, principalmente como camareira e governanta, onde se aposentou. Nesse período, voltou a estudar e concluiu o ensino fundamental e médio.
“Tinha  o sonho de ser jornalista. Nos anos 1980, fiz vestibular e consegui ingressar na Famecos/PUCRS. Devido ao trabalho, não consegui concluir o curso, faltando apenas o Trabalho de Conclusão. Sonhava com o jornalismo. Via tanta coisa errada, muitas injustiças. Vivi o período conturbado da ditadura e queria, por meio do jornalismo, ser voz dos oprimidos e denunciar o que estava errado”, contou.
Aposentada desde 1993, mudou-se para Guaíba em 1999, passando a morar na rua Carlos Nobre, no bairro Santa Rita.
Iara revela que o que mais gosta de fazer é viajar, tendo visitado, em excursões, diversas cidades do Brasil. “Só em Aparecida fui umas dez vezes”, disse.
Ela também participa de atividades no Posto de Saúde do bairro  e integra o Amigos para Sempre Cativa.

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Valmir Michelon

Professor de Filosofia, Jornalista e Fotógrafo.

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