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Quinta-feira, 21 de Maio de 2026

Região

Projeto da CMPC é debatido na AL

Audiência Pública ouviu empresa e comunidades

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Por Jornal Nova Folha Regional
Projeto da CMPC é debatido na AL
Marcelo Oliveira
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Os impactos institucionais, jurídicos, ambientais e econômicos decorrentes dos entraves ao licenciamento do empreendimento industrial da empresa CMPC  em Barra do Ribediro foi o tema da audiência pública, realizada na quarta-feira (20), que uniu as Comissões de Economia, Trabalho, Desenvolvimentos Sustentável; Saúde e Meio Ambiente e Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado em um evento conjunto. A atividade foi conduzida pelo deputado Leonel Radde (PT), presidente da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado.

O diretor de infraestrutura da celulose CMPC, Otemar Alencastro Santos, apresentou o projeto Natureza e o projeto da nova unidade industrial da empresa chilena no RS, localizada no município de Barra do Ribeiro. O empreendimento com aporte de cerca de 25 bilhões de reais pode se tornar o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul.

Inicialmente o diretor descreveu o aspecto inovador  em tecnologias a ser utilizado no empreendimento. Ele destacou que a CMPC, que atua em 12 países e é considerada a mais sustentável no seu segmento, pretende implantar uma fábrica de celulose pioneira em gestão de resíduos, controle da emissão de gases e uso racional de recursos.

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Sobre as operações da celulose no RS, Otemar informou que ela está presente em 75 municípios, com 2 mil colaboradores na indústria e 4,7 mil em operações florestais, chegando a 45 mil empregos induzidos. "São 1200 fazendas com 510 mil hectares, dos quais 270 mil produtivos e 240 mil de área preservada", apontou.

Especificamente sobre a nova unidade industrial, o representante da CMPC disse que 2,5 milhões de toneladas de madeira e celulose transportados por hidrovia vão permitir que sejam evitadas 100 mil viagens de caminhões e 56 mil toneladas de CO2 deixarão de ser emitidas. Ele destacou que a planta industrial, depois de pronta, vai produzir 3 milhões de toneladas de celulose por ano, utilizando um terminal portuário privado.

Ele acrescentou que a nova fábrica deve gerar mais de 600 milhões em impostos municipais, com 300% de acréscimo para a arrecadação de Barra do Ribeiro. "Além disso, serão criados 7 mil empregos na média do período de obras e depois, 1,4 mil na área industrial e proporcionando cerca de 30 mil oportunidades de empregos em dez anos. Ou seja, somando-se diretos e indiretos, o empreendimento pode envolver cerca de 75 mil empregos", assinalou.

Otemar disse ainda que a fábrica será autossuficiente em energia elétrica e reciclará a água da chuva. Ele garantiu que a planta industrial não usará combustível fóssil e o branqueamento da madeira não irá gerar dioxina e furano,  com a mínima geração de resíduo sólido, além do tratamento de efluentes atenderem padrões da legislação pública, não impactando o lago Guaíba.

Por último, o diretor falou sobre o programa de comunicação sócio ambiental implementado pela CPMC, os estudos sobre a flora e o diálogo com comunidades indígenas.

Ambientalistas e comunidade se manifesta
Durante a audiência ambientalistas,  comunidades indígenas, pescadores e prefeitos da região manifestaram-se.

Entre eles o Professor Rualdo Menegat, contrariou a posição oficial da empresa sobre o consumo de diesel na operação. Ele calculou que para entregar insumos na fábrica haverá trânsito de uma frota química com gasto de milhões de litros de diesel e a correspondente emissão de CO2.

Para ele, o empreendimento vai impactar diretamente, com a emissão de efluentes no lago Guaíba, o uso do solo, o ar, a fauna, a água e a população da grande Porto Alegre.  Já Paulo Brack  teme que efluentes podem chegar à Lagoa dos Patos, inviabilizando a atividade pesqueira e atividades turísticas e de lazer. 

Prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira falou da experiência da prefeitura com relação à CMPC. Para ela, a Celulose tem se mostrado responsável no diálogo com a comunidade

Kátia Feijó, prefeita de Barra do Ribeiro, defendeu a expansão da empresa no seu município, assim como a prefeita de Guaíba Claudinha Jardim também fez depoimento a favor da CMPC. 

Os deputados Marcos Vinícius (PP), Adriana Lara (PL), Rodrigo Lorenzoni (PP), Halley Lino (PT), Felipe Camozzato (Novo), Sofia Cavedon (PT), Juvir Costela (MDB) e Matheus Gomes (PSol) analisaram as informações da empresa, dos ambientalistas e das prefeitas dos municípios afetados pelo empreendimento.

Posteriormente à fala dos parlamentares, Clóvis Zimmer e Otemar Alencastro responderam os principais questionamentos dos ambientalistas e entidades contrárias à implantação da nova fábrica.

Por último, a audiência deu espaço para manifestação de dez pessoas sobre o tema.

ENTREVISTA Á RÁDIO GAÚCHA

Na quinta-feira, 21,  presidente da unidade CMPC Antonio Lacerda , em entrevista na Rádio Gaúcha, disse que o processo de licenciamento iniciou há dois anos e está na etapa final . Segundo ele , a empresa está cumprindo todos os ritos do licenciamento  com ampla participação das comunidades, principalmente das indígenas. Ele  rebate criticas de ambientalistas em relação ao empreendimento como as críticas de  lançamento de produtos tóxicos no Guaíba. Reafirma que não haverá impacto ao lago Guaíba e ressaltou o trabalho na  reciclagem dos efluentes  da empresa em Guaíba que chega a 96% e que devolve ao Guaíba água mais limpa. 

Ressaltou que a empresa não  utiliza áreas nativas do bioma pampa, somente serão utilizadas áreas já utilizadas com outras atividades econômicas.

Segundo ele, caso não ocorra um desfecho favorável a empresa fará o investimento em outro país.  "Seria uma vergonha para o Estado e o Brasil perder esse investimento", comentou.

Fonte e fotos da AL Marcelo Oliveira

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