Em cada mudança de estação, e na primavera sobretudo, a mesma pergunta retorna: por que Guaíba tem tão poucas flores nas ruas?
Uma cidade que projeta o turismo como vetor de desenvolvimento econômico não pode descuidar de seu cartão de visitas. O visual urbano importa. E o que se tem visto, nos últimos anos, é uma paisagem monótona, marcada por palmeiras e oliveiras, com rara presença de cor. Há verde, mas falta flor. Mais grave que a ausência, porém, é o mau exemplo. Compete ao poder público planejar e orientar. Causa estranheza ver, como ocorreu no ano passado, dezenas de mudas plantadas sob a rede elétrica, em total descompasso com as normas mais elementares de arborização urbana.
A natureza, se bem utilizada, oferece soluções para todas as estações. O inverno, de dias cinzentos e frios, pode ser amenizado pelo manacá-da-serra e pela acácia-amarela. Agora, em setembro, a cidade já nos brinda com o espetáculo das azaleias, dos candelabros e das glicínias — prova de que é possível colorir Guaíba o ano inteiro. Estamos no ano do centenário da cidade.
Uma data que deveria inspirar a cidade a se embelezar, a se orgulhar de sua história e a se apresentar melhor a quem nos visita.Não se trata de tarefa exclusiva da Prefeitura. Mas cabe a ela, sim, o papel de indutora. A campanha de adoção de canteiros e praças lançada pela administração é um passo correto, porém tímido.
É preciso ir além: criar mecanismos efetivos de incentivo fiscal, de orientação técnica e de parceria com empresas, escolas e moradores.Cada calçada florida é um gesto de pertencimento. Que cada guaibense faça a sua parte. E que o poder público, finalmente, lidere esse florescimento.
O texto acima expressa a visão do(a) colunista, não necessariamente a do Jornal Nova Folha Regional
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