A estudante Bruna Luísa Streit Ellwange, 25 anos, apresentou em novembro o projeto do Jardim 7, que se propõe a criação de um centro cultural voltado ao cinema, pensado como um espaço de lazer que vai além das salas de exibição. A proposta que foi apresentada no trabalho de conclusão do Curso de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, tendo como orientador o professor Paulo Cesa Filho, inclui áreas de convivência, espaços educativos para aula e oficinas, estúdios de gravação, exposições e uma praça integrada, permitindo que o cinema aconteça também fora da tela.
“A intenção é que o espaço funcione como um lugar de encontro, aprendizado e troca, fortalecendo a relação da comunidade com o audiovisual e valorizando o cinema nacional”, disse.


Segundo Bruna que passou a infância e juventude na cidade, a escolha do tema nasceu de uma paixão pessoal pelo cinema, uma relação que foi incentivada na participação no Núcleo de Vídeo Terra Cambará, organizado pelo professor Roberto Silva no Colégio Augusto Meyer. “Ao longo dos três anos do ensino médio, tivemos a oportunidade de participar de diversos festivais de cinema, entre eles o Festival Estudantil de Cinema de Guaíba”, comentou. “A partir dessas experiências passei a entender o cinema não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta de aprendizado e construção de olhar crítico. O cinema se mostrou um espaço de expressão, diálogo e formação cultural.”, complementou
Para ela, ao mesmo tempo, essa vivência veio acompanhada de uma contradição: Guaíba não possui uma sala de cinema há mais de 40 anos. “Mesmo sendo uma cidade que promove eventos, mostras e festivais ligados ao audiovisual, o acesso à experiência cotidiana do cinema ainda é limitado. Hoje, Guaíba é a segunda maior cidade do Rio Grande do Sul sem cinema, ficando atrás apenas de Viamão”, disse.
A estudante ressalta que projeto do Jardim 7 dialoga diretamente com esse potencial cultural de Guaíba e com iniciativas já existentes, como o próprio Festival Estudantil de Cinema, oferecendo uma infraestrutura permanente que ajude a democratizar o acesso à cultura. Uma das salas de cinema foi pensada especialmente para o principal evento do festival, contando com um palco e capacidade para 200 pessoas.
O nome “Jardim 7” surge como referência direta ao nome do antigo cinema de Guaíba intitulado “Cine Gomes Jardim”. Dentro disso, a proposta é de um espaço amplo com vegetações e áreas de estar públicos no entorno da edificação. O número sete refere-se à sétima arte, ao qual é o foco do centro cultural. Além disso, o terreno está localizado na Av. Sete de Setembro.
O local escolhido para a implantação do projeto o terreno do antigo cinema da cidade, ao lado do Museu Carlos Nobre, em uma área de uso predominantemente comercial que pertence a um eixo cultural muito importante de Guaíba: a Rua 14 de Outubro. A escolha do local reforça a ideia de reconexão entre passado, presente e futuro, valorizando a memória urbana e cultural do município.
“A volumetria foi pensada cuidadosamente para valorizar a localização privilegiada, revelando o horizonte à medida que se avança no terreno. O prédio de exposições, situado na Av. João Pessoa, serve como uma tela para projeções de filmes ao ar livre, ao mesmo tempo que o vão do edifício enquadra a paisagem e conduz o olhar. Tudo se volta ao Guaíba, fazendo da arquitetura um gesto de contemplação, encontro e narrativa entre a cidade, a paisagem e o tempo” destacou.
Conforme Bruna o projeto feito na universidade como trabalho de aula poderia ser adaptado e até ser feito em outro local. “O projeto é ousado, tanto na volumetria quanto na escolha do terreno, mas essa ousadia é intencional. Ela funciona como uma provocação ao potencial cultural que Guaíba possui. Valorizar a história, investir em cultura e criar espaços de encontro é também uma forma de pensar o futuro da cidade. O Jardim 7 nasce como um convite para que Guaíba volte a se reconhecer no cinema, não apenas como espectadora, mas como protagonista da sua própria história”, disse a jovem arquiteta.
Ela pretende ter a oportunidade de apresentar o projeto para a prefeitura de Guaíba e somar com a proposta do Festival de Cinema Estudantil de Guaíba que busca criar um Museu e a Casa do Cinema na cidade.
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