UMA QUESTÃO SEMÂNTICA. E SÓ? - Walter Galvani


De vez em quando a gente se defronta com questões, algumas delas suficientemente assustadoras que podem nos levar às mais abstrusas e chocantes reações. Agora mesmo fiquei tentado a explicar esta invasão do ilógico na sociedade brasileira, como um desses efeitos. Ou então, escrever rechaçando o que nos vem do Planalto, como uma simples experiência, um teste para verificar se os brasileiros estão mesmo acordados ou se fingem de loucos, e dormem ficticiamente ...

É mais ou menos como um jogo de crianças e pronto despertarão assim que os mais velhos e ou mais experientes, cobrarem uma atitude mais digna e condizente com o estado geral das coisas.

Quando morrem duas garotas por meningite e as famílias atingidas, são compelidas a pedir perdão, como se fossem elas as culpadas pelas tragédias que fizeram sua infelicidade ou simplesmente sejam obrigadas a engolir o que algum ministro insiste em dizer que é preciso “seguir em frente” e vemos que tudo não passa de uma questão semântica, é preciso pensar duas vezes antes da explosão e a ira que naturalmente deve brotar deste rolo todo, vai ficar segregada, enquanto os líderes viajam e pregam a igualdade política entre Direita e Esquerda.

Difícil aceitar e é o caldo que esta geleia geral oferece não é a solução para os que agem com seriedade e patriotismo verdadeiro e que diferem em muito daqueles que são capazes de traçar a fronteira entre uma atitude e outra como apenas uma questão semântica.

Nazismo e comunismo não são facetas da mesma laranja, Direita e Esquerda sequer se cruzam na praça. Ingenuidade não é o nome do povo brasileiro... Nem o apelido. Isso não é uma questão puramente semântica....


Coluna publicada em abril de 2019 - Galvani está hospitalizado.



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