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Recortes cotidianos

Compreensiva ou desrespeitada?

Natália Carvalho*

naticarvalhoo@gmail.com

@nnaticarvalho


Durante essa semana postei nos stories do Instagram uma imagem com uma frase que teve grande repercussão entre minhas amigas. A frase era a seguinte: “Nunca cometa o erro de ser tão compreensivo a ponto de ignorar o fato de que você pode estar sendo desrespeitado”.

Recebi uma série de mensagens dizendo: “que baita frase!”, “bah!”, “me identifico”, “faz muito sentido”, “nunca tinha parado para pensar por esse lado” e “é isso mesmo”. Eu me considero uma pessoa muito fácil de lidar. Daquelas que sempre tenta ajeitar tudo para ficar legal para todo mundo, sempre acho que podemos dar um jeito, resolver rapidinho os imprevistos e organizar. Isso deveria ser legal, mas nem sempre é.

Tudo isso porque, muitas vezes, falta bom senso do outro lado. Como a gente cede, abre mão, organiza, “não se importa”, as pessoas acabam abusando. Contam com a possibilidade de que tu não vais te importar, não vai ligar, afinal, tu é de boa, tu gostas de estar à disposição e ajudar.

Só que o nosso potinho de ir fazendo tudo pelos outros e nada pela gente, vai enchendo, enchendo e enchendo. Entramos em modo automático de fazer as coisas pelos outros e nada por nós. A balança vai ficando desequilibrada e pesando. O que era satisfação passa a ser sentido como incômodo. E a gente se pergunta: será que ninguém está percebendo? E a resposta é não, ninguém está percebendo. Até porque, às vezes, nem nós mesmos estamos.

Até que a corda arrebenta. Nossa insatisfação se manifesta através da dor nas costas. Na enxaqueca que insiste em nos acompanhar por dias. Na gastrite que nunca mais tínhamos tido e resolveu aparecer para nos visitar “do nada”. Na dificuldade para dormir e nas noites onde o sono é agitado e nossa cabeça não descansa, fazendo com que acordemos ainda mais cansados. Falta disposição para vivermos os dias de outra maneira que não seja o modo automático, sufocados pelas tarefas.

Como é bom quando a gente percebe que tudo isso tem relação com aquele primeiro parágrafo. Quando entendemos que, em primeiro lugar, precisamos agradar a nós mesmos. Precisamos ter coragem de dizer: “olha, não vai dar”, “não vou conseguir fazer”, “não quero, obrigada”. Porque isso é sim para a gente. É ser coerente com nossa cabeça, nosso coração e nosso corpo.

E depois, é reparar o estrago. Voltar a olhar para si, se colocar em primeiro lugar, buscar formas de alegria: seja através de uma meditação, uma caminhada ao ar livre, praticar um esporte, ter tempo de qualidade com as pessoas que nos fazem bem. Ter tempo de qualidade sozinhos. Talvez uma das melhores formas de ajudar aos outros é estarmos bem conosco.


-*Publicitária e Mestre e Doutoranda em Comunicação.


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