• Nova Folha Regional

Jorge Cabral

SÌNDROME DE PETER PAN

O clássico infantil do escocês James Matheus Barrie, escrito em 1902 conta a fábula de um menino que não queria crescer. Habitante de um país imaginário chamado Terra do Nunca. Não tinha compromissos, era irresponsável e só queria se divertir.
Tinha o corpo de adulto mas um comportamento infantil para sua idade. Era exibicionista e narcisista, embora na história fosse o herói, combatendo o mal. A psicologia analítica adotou o termo Síndrome de Peter Pan que explica esse comportamento como o indivíduo que tem a inabilidade de acreditar que cresceu e deve comportar-se de acordo com sua idade adulta. Passam a ter a noção do seu “eu” e da sua finitude, o que para essas pessoas que não querem ou não se sentem capazes de crescer e lidar com a vida adulta causa sofrimentos, cujos efeitos são insucessos nas relações pessoais, sociais, profissionais e amorosas, pois tais indivíduos procuram na mulher uma mãe e não a companheira.
A psicanálise transacional afirma que todos nós possuímos além do comportamento adulto, um pouco de criança e de pai, dependendo da situação em que nos encontramos nas nossas relações e interações sociais.
Assim permanecer em um ambiente mental infantil e imaturo o tempo todo não é saudável porque prejudica aquele que assim age. Portanto, levar tudo na brincadeira em momentos inoportunos, ainda mais quando pode ser recebido como atitude ofensiva, imoral, desrespeitosa, criminosa, e inconseqüente, demonstra desvio de conduta e imaturidade, ainda mais quando se está longe de seu habitat, costumes e do seu país de origem, embora o mal seja sempre o mal em qualquer lugar. Paulo de Tarso em sua famosa carta aos Coríntios, mencionou que quando era criança agia, sentia e falava como criança, mas quando chegou a ser adulto parou de agir como criança. No entanto há homens que continuam agindo e vivendo irresponsavelmente como se nunca tivessem crescidos. Inconvenientes, levianos e desrespeitosos o que eventualmente os fazem delinqüentes.
Talvez tenha faltado alguns “ puxões de orelhas”, como metáfora de reprimendas educacionais dos pais, para que crescessem como cidadãos de bem. Assim, agora, na vida adulta não encontrariam a ”dureza” para si mais do que suas próprias levianas, desrespeitosas e indecentes palavras.

Jorge Claudio Cabral
– Advogado e Escritor.

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