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Jorge Cabral

Os que observam

e os que vivem o momento

O despotismo não é coisa do passado de tempos medievais onde existia monarcas ditatoriais. A brutalidade no descaso com a população permanece até os dias de hoje, às vezes levando o indivíduo a morte, quer seja pela falta condições à saúde, à segurança e no cumprimento das decisões judiciais em que o Estado é o devedor.


Os palácios legislativos criam regras e beneficiam-se com o Estado-Rei, respingando as benesses nos vassalos que fazem parte da nobreza, onde a população não está convidada para o banquete. Os guardiões da ordem por sua vez que fazem parte desta Corte, alguns admitidos por esforços próprios, outros por fazerem parte de uma linhagem da nobreza espúria. Defendem seus interesses sem questionar a justiça moral.


Não conseguem olhar para fora dos muros dos castelos ou escutar os gritos desesperados da população. Permanecem encastelados em seus gabinetes, promovendo às vezes encontros festivos presenciais promocionais de títulos, onde são contaminados entre si pelos vírus da vaidade e atualmente pelo do Covid. Afinal são observadores do que pregam e não partícipes das leis que devem ser aplicadas para todos.


Traçam em longos pergaminhos esbanjando inteligência respostas inovadoras, que servem em alguns casos, mais para o ego do que solucionar problemas existentes na sociedade. Justificam a demora e a inaplicabilidade de uma ordem pelo entrave das mesas e de seus excessos, da falta de pessoal e do dinheiro. Esquecem que eles mesmos excedem em suas próprias quotas. Não se afligem com o momento econômico atual ou do desemprego, pois são meros observadores do que acontece no país, vez que não são afetados, além de bem remunerados com polpudos salários, possuem verbas extras. Razão pela qual não se importam com aumentos abusivos do arroz, óleo de cozinha, feijão etc., ainda propagam com orgulho a produção recorde de grãos.


Contrariando a letra contida no hino de mãe gentil, pois preferem vender mais barato para filhos alheios do que para seus. Dormem pensando estarem cumprindo com seus deveres. No outro dia acordam esquecidos com seus estômagos cheios, já com a solução de aumento de impostos.


O Poder retira do indivíduo sua alma, torna-se um elemento de poder para o poder, igual aos que antecederam e aos que sucederão. Enquanto isso a população morre na fila dos hospitais a espera de um leito, ou no recebimento do que lhe é devido pelo Estado. Age, este como um verdadeiro estelionatário, incapaz de fazer valer para si o que emite como ordem para o cidadão fazer.


Jorge Claudio de Almeida Cabral
Advogado e escritor.
Jorge.cabral@terra.com.br


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