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Regionalismo/Dorotéo Fagundes

As bruxas do pago

S e alguém pensa que a inquisição fora um período europeu criminoso de perseguições a pessoas inocentes que pensavam maior que o Estado e a igreja, tem toda razão, mas que isso ficou lá no velho mundo, precisa revisar os novos tempos e identificar a repugnante prática na história brasileira, por exemplo em Canudos e na história gaúcha, no Ferra Braz, sem falar da pratica inquisitória das mídias, de grandes pessoas serem difamadas ou ignoradas.

Digo isso para lembrar o episódio rio-grandense de 2 de agosto de 1874, no Morro Ferra Braz, localizado na triangulação municipal entre São Leopoldo, Novo Hamburgo e Taquara, hoje pertencente ao município de Sapiranga, aonde ocorreu a chacina dos muckers, pela incompetência dos agentes públicos locais, estaduais, amadrinhados pela igreja, ambos com o espírito do tempo inquisicionista, do que o Papa João Paulo I, já expressou, claramente o pedido de perdão ao mundo, que de nós Cavaleiros Farroupilhas da nova era, obteve.

Os muckers eram membros de uma congregação cristã, iniciática de colos alemães pioneiros, instalados em 1830 e esquecidos naquelas plagas da Colônia Padre Eterno – Fazenda Leão, vivendo em extrema pobreza com os demais da região. Sem assistência social, educação, saúde e religiosa, o patriarca João Maurer, desenvolveu seus dotes de curandeiro, tipo Pagé, enquanto sua jovem e bela mulher Jacobia, (na falta de pastores e padres), passou a interpretar a bíblia, sem nunca negar sua confissão protestante luterana, ganhando os dois, forte liderança na colônia. Para suprir suas necessidades, os muckers que em alemão quer dizer beatos, formaram uma vida social, econômica e religiosa autônoma, cujos membros, formados talvez de duas centenas, de senso moral e ético, pregado por Jacobina, que combatia vícios mundanos, como bebida alcoólica, cigarro e não usavam dinheiro, se abasteciam mutuamente na forma de escambo.

Logicamente essa autonomia foi atraindo adeptos e inimigos por inveja, intrigas e mitos, que geraram brigas e logo perseguições aos muckers, que passaram ser acusados de criarem uma seita, praticante de feitiçaria, bruxaria, coisa e tal. Ocorre que violência gera violência, e, como os pobres crentes não eram covardes, se defendiam dos insultos do jeito que dava, na pedra, no pau e na bala.

Assim os problemas se agravaram tanto que o Estado teve que intervir, como sempre metendo as patas pelas mãos, (ao invés de apaziguar os ânimos de todos e colocar os pontos nos is), acabou gerando uma verdadeira guerra de caça ás bruxas e bruxos do Ferra Braz, aonde os colonos mukers que puderam resistiram, outros fugiram como João Maurer que protegendo crianças foi parar em Uruguaiana e outros morreram, como Jacobina Mentz Maurer com 16 defensores, pondo fim ao reduto cristão no triste episódio, estudado e publicado em livro pela historiadora e folclorista Elma Santana, que muito bem explica as injustiças cometidas contra essa família, que desafiou seu tempo e foram mortos porque encontraram uma forma própria e isolada de vida, condenada pelo Estado e pela Igreja da época.

Para pensar:

Resolva crescer sozinho, descordar do sistema, não se corromper e verás o que te acontece! Tido como bruxo ou bruxa, serás perseguido pela mediocridade humana comandada pelos maus! Ainda bem que existe a justiça Divina!


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