Walter Galvani

DEU PRA TI, 2020...


Nos meus bons tempos de meninice e bruxaria, eu pegaria um ano como esse de 2020 e jogava-o no lixo dos lixos, naquele monturo de sacos usados e que não trazem nada de bom para seu ano seguinte. Podemos fazer isso? Será que o 2020, não deixou nada mesmo de herança ou patamar para a largada do novo ano?
Fico em dúvida. Cofio o cavanhaque imaginário que tapa o meu queixo e coço a parte de trás das orelhas, ajeito os óculos, limpo-os com um algodãozinho jeitoso, deixo a imaginação flutuar à minha frente, ouço as conversas alheias, estremeço com a dose de realidade que parecem conter, me ponho genuflexo (que expressão latina perfeita!...) Lá fora passa um carro desses de venda de produtos na porta com o condutor transmitindo numa gravação o que tem para oferecer e até o que não tem mais...não importa e segue adiante em sua faina imparável.
Parece que leio em toda a parte, “o que passou, passou” e chorar não adianta. Resta começar de novo, refazer o que for possível, refazer o que der e seguir adiante.
Mesmo uma pequena tarefa parece grandiosa, o que seria sentar ao computador e pronto, em dois toques estaria redigida a nova colaboração e eu deixaria a imaginação correr, correr, voar como nos tempos em que eu que mantinha uma agência de publicidade justamente com o nome de “Imagem & Ação” e a pouco secreta esperança de que ela crescesse e ganhasse autonomia para me fazer voar mais e mais em “imaginação”... “imagem e ação” e eu sair doido no espaço, como atrás de uma borboleta ou um raio de luar, querendo imobilizá-los e deixá-los congelar em toda a extensão do termo e assim fazer brotar minha reação.
Mas, isso não acontece. Estou eu, sim, congelado dentro de uma bola de espanto e esperança, na certeza de que sairei daqui batizado e crismado para uma nova experiência de espaço e crença.
Sei – espero... – que se produza o milagre de comunicar o que de fato sonho, esquecendo todos esses obstáculos que a falta de lua coloca em nosso caminho.
O mais não sei. Fica para a semana que vem ou para sempre. Para uma volta e meia dos ponteiros ou o despencar das minhas estantes que não suportam mais a arrecadação de livros e que cresce sem parar e sem nenhuma perspectiva de que um empate entre o seu crescimento e a minha leitura se dê para todo e sempre.
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Sim, eu sei,é assim mesmo a vida e quando optei por esta silenciosa maneira de alinhar o pouco que sei com o muito que quero saber, o tamanho e o número dos volumes com a altura das minhas estantes, o tempo de que disponho e a vida que me resta, a vontade que tenho e a certeza da minha impossibilidade, naufraguei.
No sentido puro e simples de um barco que se despede e agita a bandeirola do mastro principal, mas se foram as velas e as pessoas, os remos e os cascos salvadores.
Escrever adeus, não resolve. Na semana que vem estarei aqui outra vez, e enquanto vida houver (do meu lado) agitarei os remos e assoprarei as nuvens...
O milagre, por mais indigesto ou cristão que me pareça, é o caminho para quem, busca a ressurreição junto com a redenção..


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