Recortes Cotidianos

Setembro(começou)Amarelo

Natália Carvalho*

naticarvalhoo@gmail.com

O nono mês do ano iniciou com dias claros, quentes e ensolarados, dando uma amostra das próximas estações que se aproximam. Ao mesmo tempo, acompanhamos reflexões sobre o Setembro Amarelo: uma série de ponderações que nos convidam a olhar para nossa saúde mental.
Depois de um ano e meio de pandemia, como está tua vida? Como está tua cabeça? Certamente está bem diferente de como era antes disso tudo começar. Em menor ou maior grau, o certo é que todos nós tivemos perdas. Se não de alguém próximo, ao menos alguma história de algum conhecido nos impactou bastante em algum momento. É impossível ter ficado alheio a tudo que aconteceu e ainda está acontecendo no mundo. Durante esses meses precisamos reavaliar, fazer escolhas, lidar com imprevistos, mudar a rota, possivelmente, mais de uma vez.
Todos nós precisamos buscar algum refúgio para suportar esse período que estávamos atravessando. Alguns buscam acolhimento na espiritualidade, outros trabalham o mental, outros apelam para as atividades físicas, alguns descobriram um novo hobby. Algo que aprendi lendo o livro do Nuno Cobra, que era preparador do Ayrton Senna, é que somos um tripé. Não funcionamos bem se esse tripé não estiver equilibrado: precisamos trabalhar, em conjunto, o físico, o mental e o espiritual. Se esse triângulo estiver em desequilíbrio, iremos titubear.
Percebi na prática que não adianta cuidar só do intelecto e deixar o físico de lado, porque a coluna vai cobrar. A cabeça cansa se o corpo não gastar a energia e o nosso espírito vai se perguntar qual o sentido de tudo isso. Da mesma forma, se treinarmos o físico como loucos, nos sentiremos vazios. E assim por diante. A tarefa diária mais difícil é manter esse tripé em equilíbrio e alimentarmos bem nossas relações. E Setembro Amarelo nos convida a isso.
Antigamente (e ainda bem que era antigamente), pessoas que faziam terapia eram vistas como problemáticas. E pode ser que nossa geração e as anteriores eram problemáticas justamente porque não faziam terapia. Bom seria se todo mundo pudesse fazer. Que ir ao psicólogo não fosse visto como coisa de quem tá com problema (afinal, problema todo mundo tem!) ou privilégio de todos, e sim rotina, como ir ao cabeleireiro e ao dentista.
Precisamos entender que nem sempre conversar sobre um problema com um amigo, ajuda a resolver esse problema. Às vezes pode piorar. Guardar ele só pra nós, muito menos. A nossa cabeça é cruel e vai fazer sempre parecer que esse problema é maior do que realmente deve ser. Avaliar e opinar sobre problemas alheios é igualmente complicado, se essa pessoa tiver tendência à depressão. Uma coisa que a gente fale pode servir de impulso pra algo pior.
Minha sugestão pra esse Setembro Amarelo é: tentar manter nosso tripé em equilíbrio, em primeiro lugar. Primeiro a gente coloca a máscara, depois ajuda o amigo a colocar a dele. O que podemos oferecer sempre é nosso carinho, nossa atenção e presença. Mas assim como não devemos oferecer remédio a ninguém, não devemos indicar tratamento ou achar a dor do outro bobagem. Se perceber que o amigo está precisando de ajuda psicológica, convidar pra um café, sugerir acompanhamento profissional e de repente oferecer companhia e uma carona. Terapia é legal e salva vidas. No mais, vamos nos equilibrar pra aproveitar essa Primavera que vem chegando e já deu amostra de que vai ser colorida e cheia de vida!
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