Recortes cotidianos

A força que brota da dor

Natália Carvalho*

naticarvalho@gmail.com

Acredito que eu esteja vivendo alguns dos dias mais desafiadores da maternidade. No final de semana que passou precisei dar à minha filha Marina uma notícia que nunca imaginei ter que dar: a do falecimento do pai dela. Como a gente explica pra uma pessoinha de quatro anos uma situação dessas? Passei muitas horas sem emocional, sem raciocinar direito, sem saber como contar. Até que uma pessoa me disse: “tu vai saber a hora certa, coração de mãe sempre sabe”.
Cheguei do velório, comi alguma coisa, tomei um banho. Estávamos nós duas sozinhas e então, calma, falei. Expliquei que assim como o Vovô Chico, agora o pai dela também havia ido morar no céu, mas que continuaria cuidando dela lá de cima. Mamãe cuidaria daqui, papai cuidaria do céu. Disse que ele sempre ficaria vivo dentro do coraçãozinho dela a cada vez que ela lembrasse dos momentos em que se divertiram juntos. Então ela chorou e me contou que achava que o Ziggy, nosso cachorrinho que também já foi morar no céu, havia enganado Deus, porque ele fingiu que estava doente só pra ganhar uma cama de nuvem bem fofinha. Eu ri, chorei e abracei.
A verdade é que esses seres tão pequenos possuem uma leveza e um entendimento diferente da morte que nós temos. Eu espero que Marina cresça sabendo que o pai tinha um bom coração. Que ela frequente o Beira Rio comigo, mas principalmente, que seja rodeada de amigos, que nos transmitem tanta energia positiva e tanta força em um momento como esse. Eu não consigo contar, mas agradeço as centenas de mensagens de carinho e apoio que recebemos. É esse amor que dá sentido à vida. Na verdade, é o que fica, o que nos une, o que nos dá motivação pra seguirmos fortes.
Na próxima terça-feira comemoramos o Dia do Amigo. E nesse final de semana, eu aproveito pra agradecer a todos os meus, a todos os nossos. Nas horas de dor percebemos mais do que nunca o quanto somos amados e cuidados por tanta gente linda que está ao nosso lado. Quando a pandemia passar, quero dar um abraço bem apertado em todos. Sem dor, sem tristeza, porque a vida é curta, mas ela segue. E já que é pra seguir, seja aqui ou lá, que siga linda, cheia de paz e luz!

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