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Recortes Cotidianos

Ei adulto, se controle!


Natália Carvalho*

naticarvalhoo@gmail.com


Sou de uma geração que cresceu brincando na rua. Nosso único compromisso era voltar para casa antes de anoitecer para tomar banho e jantar. Todas as crianças se encontravam na calçada no mesmo horário e ali iniciavam uma série de brincadeiras sem roteiro.

Os dias passavam sem que a gente percebesse. Raríssimos são os desentendimentos dos quais me recordo. Tudo era resolvido entre nós mesmos e nada tinha uma grande repercussão. Caixas de papelão viravam brinquedo, assim como terra, folhas e pedaços de madeira. Giz no cimento, um dos meus preferidos. Giz no quadro verde. Canetinhas e lápis nos cadernos que sobraram dos anos anteriores.

Desenho na televisão só passava em um horário do dia. Depois daquilo, não tinha mais o que assistir e precisávamos inventar. Precisávamos interagir. Seja com outras crianças, porque os adultos não eram dessas coisas de brincar com criança, seja com os recursos que tínhamos disponíveis.

Agora vivo numa geração de pais e mães que se culpam por não encherem os filhos de atividades e não lotarem a agenda da criança com tarefas extra-classe. É esporte, aula de idiomas, assistir a um curso de tal coisa. Surgem crianças cada vez mais estressadas, angustiadas e cheias de compromissos. Não há pausa para o ócio. Ao vermos uma criança parada, nos culpamos por não entregarmos nas mãos dela algo que possa preencher o tempo. Quer brincar de massinha? Assistir a um filme? Quer pintar? Quer jogar um jogo?

Mal sabemos nós da importância do ócio para o desenvolvimento da criatividade! Ao empurrarmos mil e mil opções para a criança, tiramos dela a oportunidade de identificar suas vontades, fazer suas escolhas, experimentar o nada fazer. Tiramos dela a capacidade de criar, de inventar, que é o que de mais precioso existe na infância.

Ao colocarmos nossos filhos insistentemente em atividades pré-estipuladas, estimulamos que se acostumem a fazer algo que todo mundo está fazendo. As crianças estão de férias escolares. Não há nada mais legal do que acompanhar as descobertas no pátio de casa: dá para fazer comidinha com terra e um pouco de água. Dá para tomar banho de chuva. Dá para inventar brincadeiras na piscina. Dá para dançar e desenhar. Moldar os personagens preferidos com massinha. Brincar com as crianças da rua. Dá para adulto não intervir quando as crianças estão brincando. E é tão lindo observar.

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