Recortes cotidianos

O amor está no ar! Será?


Natália Carvalho*

naticarvalhoo@gmail.com


É Dia dos Namorados pra cá, é Dia dos Namorados pra lá. As peças publicitárias não poupam ninguém: interrompem nossos vídeos no YouTube, saltam na nossa cara bem no meio do jornal, aparecem na TV com um jingle que gruda na cabeça e fica lá por uma semana. Essa data é emblemática: por um lado, faz boa parte das pessoas correr atrás de presentes para impressionar seu amado ou sua amada, enquanto, por outro lado, alguns afirmam com convicção que “se o dia é dos namorados, a noite é dos solteiros”, “não passo Dia do Índio com índio”, “noite pra ficar assistindo comédia romântica ou ouvindo sofrência” e outras frases clichês, que estamos carecas de ler nas redes sociais. Mas, lógico, há também os solteiros que convivem com a data sem problema algum.

O fato é que experimentamos diferentes tipos de amor ao longo da vida: o amor dos nossos pais, desde antes de nascermos. O primeiro amor. O amor da adolescência, que pensamos que vai ser pra sempre. Depois, algum amor complicado, que mais tarde entendemos que não era tão amor assim. E então passamos a buscar “a sorte de um amor tranquilo”. Alguns de nós, experimentamos o amor pelos nossos filhos e vemos que amor nenhum pode ser maior que esse.

Mas agora, vamos fazer um teste: quais são as pessoas que tu mais amas na vida? Em quantas pessoas pensou até chegar a ti mesmo (a)? Ou nem chegou? Estejamos solteiros, enrolados, casados, divorciados, não importa. Existe um amor que é primordial: o próprio. E, sinto informar, mas quando não nos colocamos em primeiro lugar, nenhum relacionamento pode dar certo. De nada vale estar em uma relação e não estar feliz. De nada vale estar com alguém por comodismo, por medo do futuro, porque “deve ser tudo igual”. Esses dias mais ou menos são dias felizes que deixamos de viver. E a vida passa rápido demais.

Não só no Dia dos Namorados, mas todos os dias (ou sempre que der!), renovem votos, digam para as pessoas o quanto as amam, o quanto elas são especiais. Coloquem uma roupa bonita, se sintam bem (afinal, em quarentena, isso faz mais diferença ainda). Peçam uma tele da comida preferida. Façam um brinde! Se declarem. Dancem no meio da sala. Escrevam bilhetinhos. Seja pra alguém, seja pra si mesmo (a). E eu não poderia encerrar um texto sobre o amor sem citar minha frase preferida de Neruda: “Si nada nos salva de la muerte, al menos que el amor nos salve de la vida”.

Posts recentes

Ver tudo

Recortes Cotidianos

Qual o desejo da criança que mora aí dentro? Natália Carvalho* naticarvalhoo@gmail.com Ter um filho ou uma filha nos desarma de uma moldura rígida que vamos adquirindo com o passar do tempo. Antes de

Recortes Cotidianos

A elegância que reside na discrição Natália Carvalho* naticarvalhoo@gmail.com Esses dias vi um story (aquelas postagens rápidas no Instagram, que somem em 24 horas), de uma conhecida que postou toda a

Recortes Cotidianos

A culpa vem no combo da maternidade Natália Carvalho* naticarvalhoo@gmail.com A gente cresce ouvindo que precisa estudar pra ser alguém na vida. Estuda. Termina o ensino médio, vai pra faculdade. Namo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS