O misticismo na obra de Estevão Machado

O escritor, músico, professor Estevão Machado Athaydes publica seu quarto livro com temas que percorrem o mundo do misticismo, da espiritualidade, do autoconhecimento, do amor e dos sonhos. Os dois últimos foram lançados neste ano em meio da pandemia. Um deles é o segundo da trilogia ágape: ‘Ágape, através do tempo’ e a obra ‘Lux et Sulumbra - ou o caminho da pomba e da serpente’, ambos pela editora Uiclap.

1-Assim como no primeiro livro, questões sobre a existência humana e a busca pelo conhecimento hermético estão muito presentes nesta obra. Como foi a tua preparação para a construção desta que será uma trilogia de livros?

ESTEVÃO: Eu comecei a me interessar por magia ainda na adolescência, com 15 anos, porque achei na biblioteca da escola o livro Diário de um Mago de Paulo Coelho. Aquela história me encantou tanto que eu fui buscar todo tipo de literatura que tivesse a temática mística, como Castanheda, Khalil Gibran e livros sobre magia. Aos 19 anos entrei para a Ordem Rosacruz e comecei meus estudos sistêmicos sobre hermetismo. Aos 22 anos comecei a estudar como ocultista (teórico) outros sistemas mágicos como Alta Magia e Wicca e Magia do Chaos.

‘O Amor que liberta’, primeiro livro da trilogia, é baseado em uma prova que a vida me presenteou para que eu pudesse demonstrar que minha alma estava à altura do que eu raciocinava e pregava. Eu sabia que deveria compartilhar com as pessoas essa experiência, então baseie a história dos personagens utilizando como pano o que no livro é chamado de A Ordem, que seria um grupo organizado e hierarquizado de estudos de magia, dentro do que eu podia falar sem expor o conhecimento hermético, mas sem perder o espírito real da magia, eu expus. Os sistemas místicos utilizados pelos personagens são baseados basicamente na Tradição, na Magia do Chaos e Wicca Gardneriana.


2- Este é o teu quarto livro, o segundo de uma trilogia iniciada em 2007. Por quê escrever uma obra em três fases? Tem alguma ligação com a tua evolução como escritor?

ESTEVÃO: o Ágape deveria ser escrito em três volumes porque eu queria mostrar o desenvolvimento dos personagens de uma forma natural e verossímil com o passar dos anos, assim como o desenvolvimento deles na magia. Quando eu escrevi o ‘Amor que liberta’, eu tinha 24 anos, assim, sabia que eu teria que amadurecer como homem e como mago e escritor para escrever esta história.


3- O Misticismo é uma temática muito presente nas tuas obras. Por quê?

ESTVEVÃO: Primeiramente, eu me vejo como um místico escritor e não como um escritor místico. Acredito que meus livros ajudam as pessoas a se entenderem melhor e compreender a simplicidade da vida e isso traz leveza para a alma e logo espalha o bem, porque a história de um ser humano é a história de todos os seres humanos do planeta, a temática mística aborda temas universais como o amor, os encontros e desencontros da alma, a comunhão do homem consigo mesmo, com Deus e as forças da natureza. Todos nós passamos por essas experiências em algum momento de nossas vidas.


4- A quarentena nos obrigou a conviver muito com a gente mesmo durante muitos dias. Este período auxiliou no teu processo criativo?

ESTEVÃO: Eu tive muitas perdas e mudanças na minha vida durante o final do ano de 2019 e os anos de 20 e 21, refiz o Caminho de Santiago entre fevereiro e março de 2020 e a voltar da Espanha, o mundo estava virado com o coronavírus. Essas perdas também trouxeram, além do sofrimento, a possibilidade de crescimento, o volume II do ‘Ágape, Através do tempo’, já estava quase pronto, então o terminei. Como no segundo volume há muito de Wicca e Magia do Chaos, Eu contei com a ajuda de minha amiga Ingra Gomes, para revisão, consultoria literária e técnica. Ingra é formada em biblioteconomia e mestra do sistema mágico do Chaos.


5- Uma coisa que chama bastante atenção nos livros são os títulos? Como nascem os títulos dos teus livros? Segues algum critério?

ESTEVÃO: Cada livro aborda um nível de entendimento mágico, o amor que liberta trata da questão da comunhão das almas, das almas gêmeas e da cocriação da realidade pela magia e da liberdade das escolhas e o respeito ao tempo do outro. Assim como o Grande Espírito, Arquiteto, Deus, Força Motriz (como se deseje chamar) respeita nosso tempo (por isso o livre arbítrio) nos dá o livre-arbítrio, a não manipulação pela magia – que é na verdade todo o pano de fundo da história – é a prova que o protagonista deve superar.

Através do tempo, por outro lado, explora a evolução através das encarnações e as nossas diversas “mortes e renascimentos” durante a vida. Neste livro, a protagonista Walkiria entende que deve se perdoar para seguir em frente e que não há escolhas erradas, nem certas.

6- O que o leitor pode esperar deste segundo livro da trilogia? O final já está a caminho?

ESTEVÃO: Os livros, apesar de ser uma trilogia, podem ser lidos independentemente e suas histórias têm seus finais. Neste segundo livro pode ser percebido o amadurecimento pessoal e místico de Walkiria; ela deixa de ser a aprendiz do Amor que liberta para se tornar uma iniciada uma bruxa.


7- Que tipo de leitura te prende atenção? O que estás lendo atualmente? Por quê?

ESTEVÃO: Eu gosto de ler de tudo e não somente em livros, leio artigos da internet, posts de redes sociais, não importa o tema, desde que seja escrito com arte e coração. Atualmente, eu estou relendo a ‘República’ de Platão cuja edição é comentada pelo prof. Benjamin Jowett. Também estou lendo ‘Como se Moesse Ferro’ de Altair Martins. Recentemente, devido à necessidade de dividir, por razões de espólio, a biblioteca da família (tínhamos mais de três mil exemplares). Então eu comecei a comprar os clássicos novamente, a República foi um deles. O do Altair eu comprei num dos lugares mais “cult” desta cidade o Espaço Sol Nascente. Gosto do Altair há tempos, infelizmente os livros dele também entraram na partilha.


8- Tu já passaste por vários gêneros da literatura. Após o término desta trilogia, já tens ideia do que pretendes escrever?

ESTEVÃO: Pretendo lançar em 2022 o livro final da trilogia Ágape. Eu gosto de escrever poesias, mas dificilmente acabo as guardando, tenho um livro de contos em andamento também, porém tenho outras histórias místicas que acredito serão lançadas. Não descarto também voltar a escrever outro volume de crônicas místicas como as organizadas no Lux et Sulumbra.


Sinopse da obra
Eduardo é um mestre de uma ordem mística a procura do autoconhecimento, Walkiria, uma jovem estudante de magia que não tem medo de desafiar o mundo para viver sua lenda pessoal. Juntos descobrem que o amor é o sentido máximo da existência humana, é a chama que Deus deu aos homens para comungarem com Ele. Neste Universo Nova Era os personagens vivem aventuras que os levam a reflexionar que o Sagrado é a simplicidade, e pode ser encontrado por qualquer pessoa que esteja disposta a seguir seu coração

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