O ano novo e os pequenos prazeres

Primeira semana do ano é aquela que é uma mistura de ressaca das festas de fim de ano, quando o corpo pede repouso da comilança exagerada e das bebidas que passamos um pouquinho da conta. Ele também sente falta das atividades físicas e implora pela volta à rotina. Mas também é aquela semana em que a cabeça agradece a pausa que fizemos, por termos esquecido um pouco dos nossos compromissos e tensões do dia a dia.
Nos últimos momentos do ano fazemos uma avaliação do ano que passou: colocamos na balança os nossos acertos e falhas e projetamos os próximos 12 meses. Damos impulsos de esperança a sonhos que queremos muito que saiam do papel. Agradecemos a Deus pelas pessoas que estiveram e estão ao nosso lado em diferentes momentos do ano que se foi. Pensei que, apesar da loucura que foi esse ano que passou, tenho muito a agradecer. Muitas coisas legais aconteceram. Aliás, nessa semana mesmo, primeira de 2022, aconteceram muitas coisas legais que a gente, na maioria das vezes, nem se dá conta.
Aqui, alguns exemplos: receber um texto legal. Abrir um pacote de erva mate e ela estar bem verdinha. A filha lendo algumas palavras sozinha, do nada. Comer petiscos na frente de casa, com a família, em uma noite quente. Desmontar a decoração de Natal com a Marina (eu amo a casa decorada para o Natal, mas desmontar também dá um alívio. Parece que a gente também acaba cansando um pouco da casa cheia de enfeite e os olhos pedem pela casa normal de volta). E nessa parte, aconteceu algo muito legal: enquanto eu ia tirando os enfeites da árvore, Marina ia me ajudando e perguntando sobre o Dia de Reis. Depois, peguei uma canetinha para escrever o que tinha na caixa antes de guardar e ela pediu para escrever. Deixei.
“Na-tal. Ene, a, tê, a”. “O que mais, mamãe?” “L”. “Ah, que nem teu nome!” “Isso!” “Vou desenhar uma árvore de Natal também!” E a caixa acabou com Feliz Natal e hohoho, escritos por uma guriazinha curiosa de quatro anos. Pequenos prazeres. E é aqui onde quero chegar. Coisas corriqueiras, que a gente deixa passar. Outro exemplo de pequenos prazeres: aproveitei o dia em que aguardava pelo retorno do meu orientador para dar uma escapada e ir ao salão porque meu cabelo implorava por um corte há tempos. Sentei na cadeira para lavar o cabelo e concluí, mais uma vez, que lavar o cabelo no salão é uma das coisas mais prazerosas da vida. Larguei o celular e contemplei o momento. Simples. Corriqueiro. Mas a nossa dificuldade está em parar e perceber. Parar e contemplar. Perceber que existe prazer nas coisas mais simples da vida.
Minha resolução de ano novo não é conquistar nada grandioso ou inédito. É seguir fazendo o que acredito ser o correto e o divertido. De diferente, apenas prestar ainda mais atenção nas preciosidades escondidas no corriqueiro. Mais difícil do que permitir pequenos prazeres é enxergar que eles existem em pequenas coisas todos os dias. E vocês, o que vão fazer de diferente nesse ano novinho?
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