Morre o autor da primeira biografia de Pedro Álvares Cabral


Na madrugada de terça, 29 de junho, morreu de parada cardíaca, aos 87 anos, o escritor Walter Galvani, autor da primeira biografia de Pedro Álvares Cabral em 500 anos de história. O livro “Nau Capitânia, uma biografia de Pedro Álvares Cabral”, lançada nos 500 anos do descobrimento do Brasil, foi escrita em Guaíba, depois de Galvani morar um ano em Portugal, onde pesquisou sobre a vida de Cabral. Com o livro recebeu distinções nacionais e internacionais, entre elas o Prêmio Casa de Las Américas, de Cuba, em 2001. Galvani gostava de ensinar. Escreveu o livro “Crônica , o vôo da palavra”, a partir do qual realizou diversos cursos e oficinas sobre a escrita, algumas na Feira do Livro de Guaíba.

Galvani morava na vila Elsa, em Guaíba, há 24 anos. Autor de 13 livros, recebeu diversos prêmios, homenagens e reconhecimentos. Entre tantos, destaca-se o Prêmio ARI de Jornalismo na categoria Crônicas, Troféu Amigo do Livro, Amigo do Teatro, Destaque em Cultura e Jornalismo. Ocupava a Cadeira 25 da Academia Riograndense de Letras, recebeu o título de "Cidadão Emérito de Porto Alegre" e o Prêmio Literário "Érico Veríssimo", da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Galvani foi cremado e a cerimônia foi restrita a familiares.

Neste domingo, 4 de julho, ás 19h, ocorre a missa de Sétimo Dia na Igreja das Dores, em Poa. A missa é transmitida pelas redes sociais.

Galvani deixa esposa Carla Irigaray, duas filhas e quatro netos.


AUTORRETRATO

Em 2019, Galvani respondeu algumas questões do ‘autorretrato’ do Jornal Nova Folha. “Tenho 13 livros publicados, mais três na gaveta, 64 anos de atuação e mais muitos sonhos ainda”, revelava o ilustre morador de Guaíba.




Nome: Walter Galvani é o nome profissional, como escritor e jornalista. Nome juridicamente correto: Walter Galvani da Silveira
Onde nasceu: Canoas. Ja morei em Porto Alegre, Lisboa e há mais de 20 anos moro em Guaíba.
Casado? Sim, e descasado e recasado... Duas filhas: Ana Luiza Velho Galvani da Silveira e Alessandra Elisabete Velho Galvani da Silveira e uma filha adotada, Gabriela.
Experiências profissionais: Várias tentativas em profissões ligadas à secretariado e administração, todas centradas no Jornalismo e em Relações Públicas e em literatura.
Formação: Praticamente sou autodidata a partir do secundário. Mas, antes disso estudei no “São Luiz”, colégio lassalista de Canoas, onde também fiz aprendizagem na área gráfica, completando o mesmo tipo de preparação profissional, iniciado na Tipografia do Quartel General da 5ª. Zona Aérea.
O que está lendo: Um livro: “Uma breve história da humanidade - SAPIENS” de Yuval Noah Harari.
Uma pergunta que não quer calar? Porque o Jornalismo e a Literatura? Empurrado pelo prazer de estar com as palavras!
Um filme: “Cidadão Kane”, de Orson Welles
Um lugar? Qualquer lugar na frente de batalha do Jornalismo.

Uma viagem? Minha primeira cobertura esportiva, acompanhando a equipe do S.C.Internacional de Porto Alegre num empate com o Peñarol, em Montevideu, no estádio Centenário, nos anos cinquenta.
Uma frase? “Há 70 mil anos, o Homo Sapiens, ainda era um animal insignificante cuidando da sua própria vida em algum recanto da África.
Nos milênios seguintes ele se transformou no senhor de todo o planeta e no terror do ecossistema!” de Yuval Novah Harari em seu livro “Sapiens”.
O que gostaria de ter sabido antes? Da inutilidade e futilidade desta viagem terrena...
Política: Só sigo por curiosidade e para saber aonde querem nos levar...
Um esporte: O futebol, é claro, porque se pode fazer maravilhas com os pés e uma bola, que é, aliás, nosso primeiro brinquedo...
Uma mania: Estatística. Contar quantas pessoas usam determinados transportes públicos, como o catamarã por exemplo, ou optam pela leitura como ocupação principal.
É luxo: Poder fazer suas próprias opções.
É lixo: O que resulta de tantos enganos que se cometem...
Em que outra profissão você se imaginaria? Médico.
Uma personalidade: William Shakespeare
Um sonho: Nascer de novo e repetir tudo o que fiz sozinho ou em companhia da Carla Irigaray.

Guaíba é: Um refúgio e uma toca. Onde ainda é possível ser tosco, humilde e modesto...