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MEMÓRIA: Celebração de Navegantes na gruta da Ilha Pedras Brancas







Há cinco anos, devotos de Nossa Senhora dos Navegantes participaram no dia 2 de fevereiro de uma celebração junto à gruta na Ilha Pedras Brancas, em Guaíba. Grupo saiu da colônia de pescadores do bairro Alvorada, com a imagem de Nossa Senhora que foi abençoada durante a Romaria das Capelinhas de 2015. No local ocorreu Pe. Valdemiro Schäffer. Em seguida, a imagem foi reposta na gruta que existe há pelo menos 60 anos. A imagem anterior foi alvo de vandalismo em 2015.
Essa foi a terceira vez que a imagem foi levada do local. A primeira vez foi em 2007 e desde então, ocorre uma missa no local, no dia de Navegantes conforme artigo abaixo.


Artigo

A gruta na Ilha Pedras Brancas

Valmir Michelon/Jornalista/Fotógrafo


Um dos locais que me chamava a atenção, quando vim morar em Guaíba, era a Ilha Pedras Brancas. Demoraram alguns anos para poder ir até lá, descer e caminhar pelo verde, pelo meio das pedras e nas antigas celas da prisão. Desde então, todos os anos, praticamente todos os meses, visito o local como jornalista para fazer reportagens, fotografar, na promoção de atividades de limpeza ou passeios com estudantes e grupos.

Nestes últimos 15 anos, entrevistei ex-presos políticos, pessoas que ergueram paredes, que trabalharam na prisão como seguranças, pessoas que trabalharam no laboratório da peste suína, entre outros. Ouvi muitas histórias, resgatei fotos e fatos, entre elas a existência de um túmulo no local.

Descobri muita coisa sobre a história da Ilha, grande parte já publicada na Nova Folha Guaibense. Algo sempre me chamou atenção no meio do verde e das pedras: a gruta no meio das rochas, erguida com cimento e pedras. Nas primeiras vezes que fui não consegui identificar quem era santo ou santa, pois o tempo tinha desfigurado a imagem.

Em uma destas visitas, algo estranho tinha ocorrido, percebi que a imagem não estava mais lá. Senti um certo vazio, pois alguém levou ou destruiu algo que marcou a história daquele local, entre a dor e a saudade, e que muitos recorriam a este espaço sagrado.

Na época procurei o Breno Bornhorst e o pároco da época, o padre Laênio Custódio, para tentar identificar pelas fotos quem era o santo ou santa. Ele logo esclareceu a dúvida, que se tratava de Nossa Senhora dos Navegantes. O padre comprou uma nova imagem e fomos lá num sábado pela manhã, mais exatamente, no dia 2 de junho de 2007 e a gruta ganhou uma nova imagem, que foi abençoada pelo padre. Juntos pedimos a benção a todos os que navegam pelo Guaíba e a proteção dela à cidade, uma vez que a gruta está voltada para Guaíba. Uma oração foi feita aos que construíram a capelinha há mais de 60 anos.

De lá para cá, todos os anos voltamos para rezar e celebrar, neste espaço sagrado, que deveremos estar, novamente, neste domingo, 02 de fevereiro.

Uma dúvida ainda fica, quem construiu a imagem. Algum padre preso na ilha durante a ditadura, algum segurança?


*Artigo publicado no jornal Nova Folha


A HISTÓRIA E O TOMBAMENTO


A ocupação da Ilha Pedras Brancas localizada a 2,2 km da cidade de Guaíba e 2,5 km de Porto Alegre, iniciou em 17 de julho de 1857, quando o Exército construiu a 4ª Casa da Pólvora de Poa. O depósito de pólvora funcionou até meados de 1930, quando os militares abandonaram as instalações, passando na década de 50, a ser utilizada como laboratório para desenvolver vacina contra a peste suína que afetava o Estado e o País. Em 1956, a Ilha passa a abrigar penitenciária de segurança máxima.

Durante o regime militar, além de abrigar preso perigosos, a Ilha cedeu espaço a presos políticos. Em 1973, a prisão chegou a ser desativada, mas reabre em 1980. Denúncias de torturas e maus tratos aos presos, leva o governo a desativar o presídio .Em 1983, o presídio é desativado e a administração da Ilha é transferida da Secretaria de Segurança para Secretaria de Turismo do RS.


A cidade de Guaíba obteve através de uma iniciativa da Associação Amigos do Meio Ambiente(AMA), da Associação Movimento Pro-Cultura de Guaíba e com o apoio da prefeitura, a cedência para o Município da Ilha Pedras Brancas em 2006 por cinco anos e renovada por mais 25 anos, em 2010.


Em 2014, Guaíba, através da AMA, Movimento Pró-cultura solicitou o tombamento da Ilha, sendo assinada pelo Governador Tarso Genro, no final de 2014.


Alguns presos políticos ana Ilha


Airton Castgna

Araken Vaz Galvao

Jose Raimundo Soares

Indio Vargas

Raul Pont

Carlos Araujo.

Vlademir Ungareti

Rui Falcao

Stanislaw Szermeta

Franscisco Martinez Torres-Paco

Paulo de Tarso Carneiro

Joao Carlos de Bona Garcia

Calino Pacheco Filho

Valdir Isidoro Silveira

Ignez Maria Serpa-Martinha

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