• Nova Folha Regional

Jorge Cabral

FORD DEU!


O instinto de preservação ainda é o comportamento mais forte que conduz nossos atos de forma objetiva à sobrevivência. Estudos recentes apontam, assim como evoluímos nos raciocínios complexos, os instintos também evoluem, atribuindo ao cérebro primitivo soluções que não eram a ele destinadas. É a lei natural inexorável do progresso. Cientistas observaram nas universidades monitorando cérebros em experimentos de mapeamento tomográficos em exercícios visuais de raciocínio simples de repetição.
Verificaram que os estímulos das respostas não vinham do neocórtex, mas da região instintiva. Possuímos em nosso sistema nervoso central, mecanismos que fazem o organismo agir de modo automático em perigo iminente, modificando a quantidade de sangue distribuída aos órgãos como o coração, pulmões e cérebro. Razão pela qual o medo em certas ocasiões nos faz pálidos. Nas situações de medo, onde concomitantemente há sentimentos de amor, fraternidade, ou de bem maior comunitário, existe grande possibilidade de sobrepor o egoísmo, padrão comportamental dessas decisões.
A Ford agiu dentro do seu instinto de sobrevivência querendo permanecer viva, sem dar oportunidade ao sacrifício momentâneo. Há vinte anos a Ford esteve na iminência de se instalar em Guaíba com promessas do progresso e geração de empregos. Sucumbiu ao embate político das exigências nas benesses pedidas. Hoje estaria indo embora, levando consigo milhões em benefícios dados, excluídos das despesas necessárias a qualquer empresa em seu histórico. Pouco importaria as conseqüências desastrosas nos setores da economia, vez que não haveria o que fizesse sacrificar-se temporariamente, pois age como alienígena na comunidade, tão somente em busca de seu interesse.
Pelo tempo de permanência teria retirado dos cofres públicos recursos que talvez com seu abandono, não tivesse justificado o valor dado em isenções. Henry Ford, seu idealizador, pai da idéia da “linha de montagem”, inspirou as demais montadoras com a filosofia da produção em série, agora a Ford ensina que a experiência sem a atualização da própria idéia sucumbe a idéia nova.
Se foi uma perda para Guaíba ou não, ficará a dúvida. No entanto há uma certeza, de que nem todo mal do presente será necessariamente o mal do futuro.

Jorge Claudio de Almeida Cabral
Jorge.cabral@terra.com.br
Advogado e Escritor

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