Jorge Cabral

REALIDADES

Em épocas de final e início de ano, é sempre recomendável refletir sobre o que passou e também sobre as expectativas do que está por vir. Afinal, somos movidos, também, pela nossa imaginação e memória. Razão de sentirmos o gosto de um prato suculento ao ponto das papilas gustativas da língua salivarem como se estivéssemos diante da iguaria apetitosa, cujo organismo físico entra em ação.
O mesmo acontece com relação ao olfato quando sentimos o aroma, proporcionando sentir o perfume que exala da lembrança com a nitidez e sensibilidade como se fosse sentido pelas próprias narinas. Assim somos nós, com a capacidade de produzir as nossas realidades, através de co-criações que ultrapassam os padrões da materialidade visual e orgânica.
Embora o ano de 2020 tenha produzido de modo saturado, sentimentos que nos fizeram distanciar de paradigmas sociais anteriores, tivemos a oportunidade de experimentarmos estar em diversos lugares sem precisar sair de casa. Outra realidade proporcionada pela tecnologia que nos fez experiênciar a ubiqüidade. Transformamo-nos de um amontoado de partículas atômicas em micro-ondas eletromagnéticas, para que pudéssemos estarmos juntos das pessoas que compõe nossa vida, para exercermos nossas atividades profissionais ou estar próximos daqueles que amamos.
Embora o ano de 2020 vá entrar para história como o ano do afastamento social, houve por outro lado, aproximação das pessoas, todos inseridos, sem distinção, neste dilema que assolou nosso planeta. Tão estranhamente pertenceu a pequenas criaturas alienígenas, que nos obrigaram a comportamentos não usuais para sobreviver, retirando de nós até a liberdade de respirar plenamente o oxigênio, como se estivéssemos em outro mundo.
Assim como sensibilizamos os gostos e os cheiros em nossa mente, produzimos a vontade, a intenção, a esperança, e de certo modo a exemplo do sabor e do aroma, criamos a existência desses efeitos em nós, modificando a realidade a qual queremos.
Portanto, ao descortinar o novo ano, tenhamos essas certezas, que depende unicamente de nós o novo ano e o mundo melhor.

Jorge Claudio Cabral
Advogado e escritor
Jorge.cabral@terra.com.br.


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