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Jorge Cabral

Guerra é Paz


Este ano o livro de ficção com o título “1984” de George Orwell passou a ser de domínio público no Brasil, pela ocorrência dos setenta anos da morte do escritor. O livro é ambientado num país imaginário totalitário em que um dos lemas era “Guerra é paz” para a manutenção da ordem. Tudo era controlado pelo estado, inclusive, os atos dos cidadãos. Profetizou o autor em 1948 quando escreveu o livro, um país que havia câmaras de vídeos por todos os lugares, onde tudo seria vigiado permanentemente.

Os jovens utilizavam uma linguagem nova abreviada, o que contribuiria para reduzir suas idéias. Controlavam, a própria história, modificando-a diariamente segundo o interesse do estado, adequando à realidade do passado ao interesse do presente. Portanto, agia o estado neste sofisma como se estivesse sempre em guerra, dizendo ser necessário para a obtenção da paz. Sob o ponto de vista lógico sem dúvidas que devemos estar preparados para as realidades adversas, pois é fundamental para transpor obstáculos, estar apto para os conflitos da vida, sob o aspecto profissional, social, ou da própria subsistência. Isso não implica declarar guerra a todos e a tudo, vez que a lei do mais forte, sucumbe para a lei da ajuda mútua. Basta prestar atenção na natureza, a qual mostra que a solidariedade e a fraternidade é mais forte eficaz que a individualidade. Devemos declarar guerra aos sentimentos que nos impõe obstáculos, os medos, ignorância, preconceitos e acomodação entre outros que nos aliena.

Não aos nossos semelhantes que são diferentes, mas trabalham, produzem, constroem e acreditam na possibilidade de um mundo melhor. Não se desarma a quem procura no conhecimento ultrapassar as barreiras da inércia. Não se desarma o indivíduo cauteloso de suas ações preventivas para cuidar de sua saúde. Tudo é cuidado e atenção para a obtenção do sucesso, satisfação e proteção. O ente estatal que nos vigia pelo cadastro da identificação, faz exclusivamente por interesse, sem se importar conosco. Jesus já havia dito de outra forma de que não tinha vindo para trazer a paz mas a espada, utilizando a metáfora para mostrar a necessidade de mudanças nos padrões estabelecidos e de nossas vidas, fato que causaria reações contrárias belicosas. No país do imaginário de Orwell, o Grande Irmão, cuja expressão Big Brother se popularizou através de programa televisivo, era o responsável pela vigilância opressora, retirando além da liberdade a criatividade, impondo uma passividade danosa ao cidadão. Número identificação, câmaras de vídeos, e as abreviações das palavras nas redes sociais, serão meras coincidências ou pura profecia?

Jorge Claudio Cabral

Advogado e escritor


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