Eletrificação imposta

Atualizado: Set 7





A General Motors apresentou neste ano a nova logomarca da empresa que simboliza o céu limpo de um futuro com zero emissão. A indústria automobilística tentou no passado, sem sucesso, implantar motores elétricos. Mas por que antes não deu certo? A resposta é simples: autonomia. As baterias de hoje são capazes de manter o veículo em movimento centenas de quilômetros com apenas um carregamento.
Ao entrar em um carro moderno, chama a atenção a gigantesca central multimídia no painel. Inúmeras facilidades são oferecidas pelo retângulo luminoso: GPS; aplicativos de streaming e a integração completa com o aparelho celular. O automóvel se transforma em smartphone e vice-versa. Além das baterias de lítio, o celular e os elétricos têm em comum a prática mais abominável da indústria: a obsolescência programada, inventada por Alfred Sloan, presidente da GM na década de 1920.
Um elétrico como o Chevrolet Bolt é vendido por 36 mil dólares. Para realizar a reposição das baterias elétricas o consumidor paga 15 mil dólares, quase 40% do valor do automóvel. Dado o alto preço da manutenção, não seria uma surpresa se o cliente optasse por utilizar o valor para adquirir um modelo novo. Não que o automóvel não seja um bem de consumo, mas a eletrificação tende a torná-lo um produto descartável como um smartphone e ainda obriga o cliente a retornar à oficina autorizada para o reparo de baterias, serviço tão complexo que somente os mecânicos treinados pela marca poderão fazer.
A produção de motores elétricos também tende a inflacionar o preço do veículo, tornando-o cada vez mais inacessível ao cidadão comum. Se a preocupação dos empresários fosse com o meio ambiente, outras alternativas seriam viáveis, como o etanol ou GNV. Eles geram menos impacto ambiental do que as centenas de milhares de baterias que serão produzidas por ano para sustentar uma frota inteiramente elétrica. Se engana quem pensa que a indústria está preocupada com o meio ambiente. A eletrificação imposta é mais uma estratégia para atingir aquilo que todas as empresas almejam: o lucro.

* Andrei Arndt
Estudante de Jornalismo/UFRGS

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