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Como manda o figurino

Passei uma temporada em hospital de Porto Alegre. Do qual só tenho registros favoráveis. Não falo em saudades, porque, de uma casa de saúde, por melhor que tenha sido o tratamento, o importante é a recuperação. Assim é que aqui, estou, de volta ao trabalho, depois de um mês e seis dias de internação.


Sobrou bastante tempo para a reflexão, para o exame e o reexame de minhas condições físicas e psíquicas, para avaliar meu relacionamento com a sociedade, com a área onde atuo há 65 anos e alguns meses e avaliar minhas perspectivas futuras.


Podia ser melhor? Podia. Mas, não rejeito, nem jogo no lixo particular da minha memória, o tempo vivido e curtido, com a profissão que escolhi no dia 14 de fevereiro de 1955, por sugestão do meu amigo e ex-colega de ginásio La Salle em Canoas, Lineu Medina Martins.


Peguei um ônibus na esquina da Av. Vitor Barreto com João Pessoa, na então modesta cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, e me dirigi ao centro da capital, para meu primeiro contato com o jornalista esportivo Cid Pinheiro Cabral, na redação do “Correio do Povo” e comecei minha experiência e meu aprendizado. Naquela época não existiam “cursos de jornalismo” aqui e esse foi mais um desafio que enfrentei com alegria e determinação. Assim que o destino e o meu trabalho profissional me propuseram, fui o feliz implantador dos primeiros estágios para futuros profissionais, na empresa então editora do “Correio do Povo” e da “Folha da Tarde”.


Fiz as melhores amizades e progredi incentivado pela certeza de que estava fazendo o certo. Aos poucos, passei para aqueles jovens que se candidatavam aos estágios por mim inventados, como a Ema Reginatto e o Divino Renato Fonseca, o mesmo entusiasmo que me levara da rua Cel.Vicente em Canoas, até a Caldas Jr. em P.Alegre, e a mesma devoção pelo jornalismo.


Sem hora para deixar de trabalhar, sempre com as mãos e a cabeça prontos para assimilar o que me vinha da intuição e dos bons exemplos, fui construindo minha “capela” particular e asfaltando minha carreira que teve sempre na pessoa e no exemplo dos bons amigos, os faróis, os sinais, enfim as certezas de que eu agia certo.

Hoje são 65 anos e meio de trabalho, já percorri meio mundo, aprendi a duvidar de mim mesmo e a confiar nos bons amigos e nos exemplos espetaculares, que me vieram desde os tempos do Arquimedes Fortini no velho “Correio” até os heróis do dia-a-dia de hoje.


---X---


Faria tudo de novo, outra vez, mesmo sabendo que os salários da profissão jamais me fariam rico. Mas, me encaminhariam à uma profissão que é um símbolo de dedicação e crença na própria capacidade de crescer cercado pelo apoio dos muitos amigos, dos tesouros das bibliotecas e da compreensão dos que me acompanharam acreditando sempre no futuro possível. Não posso dar todos os nomes aqui. Porque são tantos. Mas, eles sabem quanto os estimo, aprecio e respeito.

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