Coluna do Jorge Cabral

EM NOME DO PAI E DO FILHO

Aprendi com um velho amigo, na época ainda jovem, que não basta dois jogadores chocarem-se ombro a ombro para que a jogada ou esse ato desportivo seja aceito como correto. Existe a necessidade para que seja permitido este expediente corporal no futebol, imprescindível, na disputa o objetivo precípuo da bola, o que no meio acadêmico é ou era denominado jogada “legal-legal”.

No entanto, quando o intuito é a atingir o ombro do adversário tendo a bola como interesse secundário, o comportamento é ilícito, passível de aplicação das penalidades advindas do ato na intensidade e nas conseqüências da conduta denominada “legal-ilegal”. Legal porque foi com o ombro, mas como objetivo foi o corpo do outro antes da bola, considerado é ilegal.

A lição ficou para sempre como metáfora de tantas situações que vemos na sociedade aparentemente legal, mas revestida com o pano de fundo da imoralidade dos interesses diversos da razão da sua existência. Razão pela qual existem leis e decretos com essas conotações, mas ferem princípios mais elementares de valores éticos e respeito aos cidadãos, ainda mais quando o Estado utiliza-se das prerrogativas do “Poder de Príncipe”, desequilibrando as relações do contrato social à bem da sua vontade com prejuízo a população.

Os cidadãos têm que cumprir com sua obrigação, o Estado age respaldado em leis corrompidas pelos interesses da Corte, produzidas por vassalos que agradam os castelos e seus ocupantes, protegendo-se e perpetuando-se no Poder. Formam verdadeiras dinastias com discursos sacrais, exaltando até divindades em nome do Pai e do Filho, que na verdade são suas próprias estirpes, preparando-os para assumir o poder depois deles. Tudo através de jogadas legal-imoral. Parafrasendo o dito popular - Diga o que fizestes no teu mandato, que o povo dirá nas próximas eleições filho de quem és e o que deveria ter feito.

Jorge Claudio de Almeida Cabral
Jorge.cabral@terra.com.br
Advogado e Escritor

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