Coluna do Galvani

TRÊS VEZES QUATRO...

A vida nos escorre entre os dedos, e quando nos damos conta já lá se foram três meses, um quarto do novo ano, mal havíamos fechado os olhos para os novos planos e projetos. O ano de 2021 voou e pronto. Correr atrás não resolve nada. Continuar sentado, imóvel, silencioso, também não. Mas, espernear, serviria de alguma coisa, a não ser para reclamar de si mesmo?

Quantos livros você deixou de ler, quantos textos ficaram incompletos, quantas questões você abriu e não chegou a concluir?

Alguma declaração de amor ficou inconclusa, pendurada no ar? Então dê graças a Deus, você não comunicou a nenhum outro ser humano o seu grau de infelicidade, não precisa se arrepender de não haver tomado nenhuma posição, ou tentado impor seu pensamento.

Passou e pronto. Você deixou passar o momento, algo que não teve sua intervenção e portanto ficou pelo caminho sem o carimbo da sua indecisão e do seu despreparo.

Não importa se você tem 20 jovens anos ou oito conscienciosas décadas de combate pela vida.

Agora, sentado em seu escritório, você dá o balanço em sua vida e especula justamente sobre as vezes em que uma perda de tempo, um tropeço ou uma indefinição mais conscienciosa prendeu-o do lado de cá, imóvel e entorpecido pelas incertezas da vida, congelado, só e triste.

Lá fora, o mundo voa. Basta olhar o que se passa a sua volta e você se dá conta da velocidade com que ele vai embora...

Quem sabe não teria ele chegado ao ponto de contemplar pela janela enquanto o tempo muda e a chuva chega e em sua vida não se faz nem claridade, nem névoa?

Para alguns, o soberano do infinito decreta – quem sabe? – uma pausa, uma interrupção forçada, justo para restabelecer-se o equilíbrio?

Algo assim como parar antes de cruzar uma linha férrea, onde inscrições absolutamente inspiradas estabelecem, “parar, olhar, escutar”?


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A vida pode ter esses contornos, essas curvas inesperadas, esses tropeços escondidos.

Cabe-nos caminhar com reflexão, andar com ponderações, avançar cuidadosamente. É o preço que se paga pela maravilhosa aventura de estar vivo.

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