Coluna do Cabral

REENCONTROS DO TEMPO


A Teoria da Relatividade ensinou que o tempo não é absoluto no universo, considerando que nele estamos inserido, independente da influência gravitacional, presenciamos seus efeitos em nossos sentidos, pelo qual às vezes os anos se fazem parecer dias e as horas, minutos. É comum ouvir pessoas perguntarem pelo tempo, para alguns a impressão que foi mais, para outros foi menos.
O tempo com certeza não é medida padrão para todos, embora possa aparentar pelo calendário. O tempo é medida íntima interior, cuja individualidade de cada um tem sua própria contagem. Às vezes o passado e o presente se funde e na mente se confunde, motivo pelo qual ao lembrar do cheiro sentimos o aroma, assim como o gosto em nosso paladar. A neurociência tem tentado explicar que o cérebro não sabe o que é passado ou presente, ao lembrarmos revivemos.
O passado acompanha nosso presente, alguns mais intensos, às vezes vem em nossa mente como fragmentos de presença instantânea, como uma fotografia que artificialmente o faz parar. Em algumas situações e em especial quando essas lembranças trazem pessoas, não estão somente em um canto da memória, mas em um lugar especial latente no coração, porque foram pessoas importantes, e nem elas mesmas sabem o quanto foram e continuam sendo. Acham que passaram despercebidas, enquanto ainda permanecem conosco nos ensinamentos e exemplos.
O Reencontro com amigos, colegas e conhecidos proporciona uma espécie de sintonia temporal de revivência dos momentos que fizeram nos trazer aonde estamos como partes fundamentais da nossa construção como ser humano, pois somos o somatório desses momentos e destas pessoas, sem as quais não teria sido possível forjar nosso caráter. Vem a saudade que às vezes alegra outras entristece, ainda mais, quando alguém daquele tempo já foi embora, resta a presença da falta, pensamos que poderíamos ter mais dito, agradecido e conversado pelo infinito.
Não somos feitos do silêncio e solidão, somos o resultado das vozes e das multidões. Ainda vejo pessoas dizerem que vivem solitárias, não percebem que o que está a sua volta foi feito por alguém, não só o que toca, usa e alimenta, mas boa parte do que pensa. Há sempre um plural de pessoas em nossa existência, sem alguém não seriamos ninguém.
O tempo é íntimo e a hora é minha/para alguns anda depressa e para outros lentamente caminha/ Sem mais esperar pela estação do verão/O que importa é a temperatura quente do coração/O calendário e a farsa de um disfarce/Que não engana nossa íntima face. Quando se ganha o tempo de alguém, se recebe o que se tem de mais valioso, pois esse tempo só retornará novamente na lembrança. Meu muito obrigado.

Jorge Claudio Cabral
ADVOGADO E ESCRITOR

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