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AMA – 30 anos de amor e luta!



A AMA Guaíba foi fundada no dia do amigo de 1990, por pessoas que nutriam a amizade entre si, mas não só, também a amizade com sua cidade, seu entorno, suas árvores, seu Lago/Rio Guaíba, desta biofilia genuína germina a Associação Amigos do Meio Ambiente.


A AMA é da segunda geração de entidades ambientalistas gaúchas, e se apoiou nos ombros da União Protetora da Natureza, de Henrique Luís Roessler, da AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, de José Lutzenberger, Augusto Carneiro e Hilda Zimmermann, e da ADFG – Ação Democrática Feminina Gaúcha (hoje Amigos da Terra Brasil), de Magda Renner e Giselda Castro. A partir do trabalho visionário das entidades pioneiras da ecologia, nas décadas de 80 e 90 foram fundadas dezenas de entidades pelo território gaúcho, em sua maioria efêmeras, mas muitas seguem na luta até hoje, única e exclusivamente pela dedicação de vidas inteiras de cidadãs e cidadãos que entendem que sua passagem por esta terra deve ser maior do que a simples acumulação de bens e o desfrute de prazeres autocentrados, a AMA é uma destas.

Nestes 30 anos a entidade passou por distintas gestões, que definiram seus distintos momentos, posicionamentos, estratégias e ações, mas sempre mantendo seu caráter suprapartidário, e a busca pela preservação de nossos patrimônios ambientais e históricos (seus dois grandes eixos de atuação). Integrou uma série de conselhos, comitês, fóruns de discussão, e assembleias de articulação.


Desenvolveu incontáveis atividades de educação ambiental. Realizou vistorias, denúncias, investigações, projetos, campanhas, estudos, pareceres técnicos, textos informativos, palestras, saídas de campo, concedeu entrevistas, elaborou vídeos, sempre visando, além de produzir conhecimento, incidir ativamente nos temas socioambientais e histórico/culturais de Guaíba e região.


A AMA tem envolvimento direto ou mesmo é responsável por uma série de tombamentos de patrimônios históricos guaibenses, como a Casa de Gomes Jardim, e seu entorno, que inclui o Cipreste centenário (símbolo vivo do município), configurando o sítio histórico da origem do que viria a ser a cidade de Guaíba, um museu a céu aberto. O Matadouro São Geraldo, que ano pós ano resiste ao tempo, mas que segue, literalmente tombando, pouco a pouco, por falta de interesse dos proprietários particulares e dos poderes públicos em viabilizar sua preservação, seus prédios tem esplêndida arquitetura e inestimável valor histórico e patrimonial e seu terreno representa beleza cênica impar, remetendo ao período das charqueadas, em que Guaíba teve papel de destaque na economia gaúcha. A Ilha das Pedras Brancas, que teve diferentes usos ao longo da história como Casa da Pólvora, laboratório de pesquisa, e presídio político durante a ditadura militar brasileira, a história da Ilha segue viva pelo trabalho de visitação promovido a AMA há muitos anos. Às vezes nos pegamos pensando: o que os turistas que chegam de catamarã visitariam se não fosse o trabalho da AMA?


A luta da entidade também tem incluído a manutenção do Marco Farroupilha em seu local original, no Balneário Alegria, a preservação e recuperação do Portão da Alegria, do Mercado Público Municipal, a Bica da Avenida Sete de Setembro, e as diversas edificações que atestam as diferentes fases da arquitetura em Guaíba, muitas já perdidas, e as que restam seguem em risco de demolição pela ganancia de empresários sem escrúpulos e senso de comunidade e pela omissão de recorrentes gestões do legislativo e executivo municipais.


No seu viés ecológico tem permanentemente pautado e tensionado o debate a nível municipal, caracterizando e atuando sobre as principais problemáticas ambientais de Guaíba. Denunciamos sempre as absurdas podas anuais praticadas pela própria Prefeitura, que enfraquece nossas árvores urbanas, e podem ser justamente a causa da temida queda destas árvores no futuro, lutamos pela implementação de uma adequada gestão de nossa arborização urbana. Trabalhamos também a questão do saneamento, criando o primeiro ecoponto de Guaíba, que funcionou entre 2012 e 2013 e recolheu mais de 10 toneladas de resíduos eletroeletrônicos, originando os ecopontos da Prefeitura nos anos seguintes; contribuímos com a construção do Plano Municipal de Saneamento; denunciamos os problemas do Aterro Sanitário Municipal; contribuímos na viabilização da central de triagem de resíduos junto ao aterro, e posteriormente buscamos viabilizar nova central de triagem, infelizmente sem sucesso (novamente por inercia do executivo municipal); realizamos educação socioambiental durante as obras de macrodrenagem da Zona Sul.


A questão do Arroio Passo Fundo vem sendo levantada, estudada e problematizada pela AMA desde a década de 90, sempre ao lado das escolas e das comunidades locais, se hoje sabemos com clareza que ações realizar para recuperar a qualidade do Arroio, é fruto do trabalho da entidade (que contou com importantes parceiros como a UFRGS) ao elaborar o diagnóstico socioambiental da Bacia do Arroio Passo Fundo, hoje gestores e órgãos de fiscalização não podem dizer que não sabem o que fazer, devem é atuar conforme suas responsabilidades. As águas do Arroio nascem limpas todos os dias!


Guaíba também tem uma relação histórica com a produção de celulose, nossa fedorenta herança das articulações do capital internacional com a ditadura militar, tamanha a dependência discursiva construída que debater este tema na cidade chega a ofender muitos. A própria AMA já passou por diferentes interpretações e estratégias sobre este assunto, e as críticas são bem vindas (sabemos fazer autocrítica), porém hoje, para a entidade, a questão é clara, temos uma planta de produção de celulose altamente impactante e de alto risco de catástrofes em local inadequado, em meio à zona urbana residencial de Guaíba, que exporta quase a totalidade de sua celulose bruta, gerando lucros astronômicos (segundo o jornal Valor Econômico a CMPC lucrou em 2019 R$ 962,5 milhões), com excepcionais subsídios, incentivos e isenções fiscais, é a máxima do capitalismo na prática: internaliza os lucros e socializa os prejuízos, e obtém sua licença social (cada vez mais combalida) com cadernos, patrocínios, apoio a políticos, recursos para imprensa, e executando algumas ações em substituição do poder público (já mencionado anteriormente, mais de uma vez, como omisso). Sem mais rodeios, a empresa, se quer continuar a obter seus lucros aqui, para começo de conversa, deve resolver os impactos que dia e noite impactam a vida das comunidades de seu entorno: ruído (que não permitem o direito a um sono adequado), odor (que causa dores de cabeça, náuseas e ardência nos olhos e nariz), e a queda de diversos materiais particulados (como serragem e fuligens) nas cabeças de adultos, idosos e crianças. Detalhe: a responsabilização não deve se dar às trabalhadoras e trabalhadores, mas à direção da empresa (hoje chilena).


O Morro José Lutzenberger, como foi nomeado oficialmente em 2003 em homenagem ao Lutz que sempre alertou para a importância da preservação desta área quando circulava por Guaíba, ou como era chamado antigamente, e por muitos ainda é o Morro da Hidráulica, é um capítulo a parte desta história, pois esta luta resultou uma importante vitória, em 2013 foi criada nossa primeira Unidade de Conservação, o Parque Natural Municipal Morro José Lutzenberger, da categoria de proteção integral, garantindo a preservação de uma área de mais de 20 hectares de Mata Atlântica no centro de nossa cidade, a luta agora é para a implementação do Parque com infraestrutura adequada para receber a comunidade neste espaço que agora é de todos, para momentos de lazer, educação ambiental, trilhas, observação de aves, identificação de plantas, e tantas outras atividades que o contato com a natureza pode proporcionar.


À nível regional e estadual trabalhamos pela melhoria da qualidade das águas da bacia hidrográfica do Lago Guaíba, pela preservação dos Biomas Mata Atlântica e Pampa, contra o desmonte de nossa legislação ambiental e de nossas instituições de pesquisa, controle e fiscalização, contra projetos de mega empreendimentos do agronegócio envenenador, da celulose, silvicultura, mineração, e pela construção de verdadeiras soluções para as crises ecológicas e econômicas em que nos encontramos, em articulação à muitas entidades aliadas e ao lado das comunidades e povos locais, originais e tradicionais, à quem expressamos nossa gratidão e compromisso.


Para Guaíba, a AMA tem uma visão, que enxerga a beleza impar e a riqueza de suas paisagens e de sua história, nossa visão passa pela valorização e preservação deste conjunto de patrimônios ambientais e históricos, que tem a potencialidade e a vocação de imprimir um outro modelo socioeconômico e verdadeiramente sustentável para nossa comunidade, cuidando de nossas águas, solo, ar, flora, fauna, e garantindo a qualidade de vida de todas e todos, desta e das futuras gerações.


Hoje a própria AMA se torna um patrimônio de Guaíba, à ser preservado e construído por todas e todos que pensam e sentem como nós, que acima de buscar explorar e lucrar, amam nosso município, nossas belezas, nossa natureza, nossa história e nossa gente.

Junte-se à nossas causas! Entre em contato!


Temos mais 30 anos para construir!



Eduardo Raguse Quadros
Coordenador da AMA

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