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a sombra escrita da imagem {Altair Martins]

16. Fotografia da reforma da praça

Máquinas ocupam a praça

onde uma reforma pede que a fotografia resguarde o momento

entre a pele da terra e a roupa dos homens.

Acontecerá em dezembro de ser Natal

quando as luzes chegarem ao supermercado

e janeiro vier com suas maquetes na escala de um pra dois mil.


Mas até lá

continuarão a cruzar no sentido contrário

o cavalo com uma das patas no ar

puxando a carroça que faz frete e sobre a qual (presumo)

ficam à deriva um pai, uma mãe e uma criança.


Por enquanto é setembro.

Na carroça que acumula exemplos,

me surpreende perceber que o que segue e permanece

é justamente aquilo que a minha cabeça amestrada

insiste em atirar para trás: as figuras

sempre ilegíveis como um livro de Sociologia

e suas ilustrações de que só o que a História registra

é invariavelmente o segundo plano.


Senão vejamos as quantas vezes que lavei as mãos

e, sem responsabilidade, as considerei minhas

como uma caixa de papelão

onde me escondia para assustar alguém.


Então é inevitável que chegue outubro,

com o cavalo segurando o mesmo passo

e a mesma cena:

esta cena onde homem, mulher e filho,

ainda que novembro acabe,

não são Mina, Kaingang, ou Bellini,

nem são Figueiredo nem são Schneider

(na praça reinaugurada em fevereiro).


São uma classe.

E é por isso que a fotografia nunca muda.


Áudio do texto narrado pelo autor Altair Martins

https://drive.google.com/file/d/1i_4yfjZ7GQSboStH_dGzpFFY8XP3zMYs/view?usp=sharing



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