a sombra escrita da imagem {Altair Martins]

Intermediação da praia

O pinguim morto que me tirou de casa

para o encontro nas areias de junho

não sabia que, desde a Patagônia

ou dos confins da Antártida,

o frio tinha se atrasado e que,

mesmo sem neve,

também tenho um corpo que migra.


Vai ver o pequeno escândalo de asas abertas

descobriu que era ele o único inverno

e perdeu as emergências de ave que não voa

e resolveu ficar

pra perturbar a areia.


Então parecido com aquele

do rótulo da cerveja

ou com aquele que enfrentava super-heróis

com um guarda-chuva,

na intermediação da praia,

o pinguim morto veio hospedar-se no meu olho

e tudo o que agora sei

é o que ele já não é.


Sei que seu desenho final deixará de coincidir

com o que respirava e,

no fim das vaidades,

depois de tornar-se o pedaço dos vivos

(até o oco do corpo),

o pinguim morto não será estranho

quando apontar pra areia.


Metade já estarei em casa

e repetindo a mesma frase:

as vezes em que a morte não é fúria.

A outra metade fará a promessa

de esquecer o pinguim-fantasma

quando o frio chegar.


Áudio do texto narrado pelo autor Altair Martins :https://drive.google.com/file/d/1LjcaH3Espduh44iZFY8EKo9IJJL7imUw/view?usp=sharing

0 visualização

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Receba nossas atualizações

51 99616 7059

  • Branca Ícone Instagram
  • arroba

© 2020 by Bittencourt Branding | Nova Folha Regional | All Rights Reserved