A cor da humanidade é a igualdade - Jorge Cabral


Há alguns anos foi publicado o livro “ advogados e Tribunais”, sobre o filme com o título Separados Mais Iguais, que trata sobre efetivamente o racismo, desencadeado pela proibição das crianças negras de compartilhar o mesmo ônibus escolar com as crianças brancas. Coube a mim o comentário deste filme no próprio livro que reproduzo a seguir: O caso verídico ocorreu em 1954 e ficou conhecido como “Brow Contra a Secretaria de Educação”. Escrevi que incontestavelmente existe em certas sociedades humanas inerente resistência à mistura das raças que até certo ponto, poderia se dizer natural. Pensando, assim, é plausível justificar em algumas etnias este sentimento mais aflorado de preservação, ato instintivo da perpetuação da espécie racial.

O homem como animal pensante, em certas sociedades, sublima tal sentimento, aparentando uma igualdade para a sobrevivência pacífica. Em outras, cria um profundo sentimento político nacionalista como “pano de frente”, para resistir à perda da identidade racial, tratando o estrangeiro em desconfortável situação de permanência, demonstrando não ser sua região nativa.

Embora possa se admitir este sentimento natural de sobrevivência da própria espécie racial, é de se repudiar qualquer tratamento de desigualdade de seres humanos por raças distintas numa mesma sociedade, ainda mais, quando reconhecidamente são seus cidadãos.

O filme separados Mas Iguais, retrata um marco histórico na questão racial americana, levado pelo advogado negro Thurgood Marshall até a Suprema Corte, onde é mostrado as filigranas dos bastidores do julgamento. O juiz relator utiliza meios intrigantes para o convencimento dos demais juízes, é a oportunidade de vê-los como seres humanos comuns, com suas inquietações e dúvidas diante de uma decisão importante, com reflexo em toda nação. É o desnudamento de homens aparentemente inabaláveis, visto de dentro para fora, onde suas convicções e seus sentimentos diante do caso, são postas em confronto com o que pensam, com o que sentem, e com o que seja melhor para a sociedade e para a humanidade. É amostra inexoravelmente verdadeira da importância do julgamento em colegiado, onde a influência pode modificar uma decisão para melhor.

É a mais singela e complexa demonstração que a grandeza de um juiz nem sempre se dá pela imposição da prevalência de suas idéias, e sim no fato do reconhecimento que seus princípios e conceitos são menores diante do interesse da sociedade, do país e de seus cidadãos. É a demonstração do progresso humano social, pela simples razão de que as crianças negras ou brancas americanas estavam SEPARADAS apenas pela cor da pele, MAS sempre foram e serão IGUAIS seres humanos.



Jorge Cabral

*Advogado

jorge.cabral@terra.com.br

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