Outro Olhar

Das estações da vida

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Depois das dificuldades e do sofrimento vem a alegria. A vida, muitas vezes, passa pelas estações do ano. O ideal seria que a vida fosse uma eterna Primavera. O cheiro das flores, o cantar dos pássaros, o colorido da natureza e o clima mais ameno fazem  da Primavera uma das melhores estações. Por isso ela é a mais lembrada entre os poetas, pintores, músicos e escritores. Sonho de muitos seria mudar de país a cada mudança de estação e viver sempre na Primavera. Mas na vida, infelizmente, não podemos viver sempre nesta estação.

Um conto do oriente conta que um jovem caminhava ao lado do seu mestre.

Ele perguntou: - Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... Sofro com as que caluniam... - Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.

- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo. - Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. - Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...

É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!

De Anne Bradstreet: “Se não tivéssemos Inverno, a Primavera não seria tão agradável: se não experimentássemos, algumas vezes, o sabor da adversidade, a prosperidade não seria tão bem-vinda.”

Os Ciclos da Vida

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Na  vida passamos por diferentes fases, rupturas e recomeços. Nesta semana, tentei recordar das cidades, bairros, empregos, entre outras atividades e momentos inesquecíveis que vivi.

Tudo começou em Antônio Prado, depois passei por Ipe, Vila Flores, Veranópolis, Pelotas, Marau e por último Guaíba. Tentei, também, lembrar dos bairros que já residi em Guaíba: Coronel  Nassuca, Colina, Ramada, Vila Jardim, Vila Elsa, Centro e Ermo. Na minha viagem ao passado busquei os estabelecimentos comerciais que trabalhei com carteira assinada: Hotel Manta, Loja Graziottin, Lojas Total, Rádio Alfa, Livraria Vozes, Vida Produtos Biológicos e jornal Nova Folha. Coincidência ou não, chego sempre no número sete. Foram sete cidades, sete bairros e sete empregos. Cada cidade parece que foi uma vida, um local em que tive um início, meio e fim. Como se em cada lugar onde passei fosse uma vida diferente.

Fiquei a pensar... Será o fim de um ciclo na minha vida? Seria a minha última cidade, meu último bairro e último emprego? Vou estagnar aqui? Mas por outro lado fiquei  a pensar  nas possibilidades, nas sete coisas que não fiz ou não tive chance ainda de fazer. Não tive sete namoradas, não fotografei sete estados e muito menos sete países. Não escrevi sete livros, não tive sete filhos, não ganhei sete milhões na loteria, e assim por diante.

São inúmeras possibilidades que ainda estão na minha frente. Basta eu não parar de sonhar. Isso mostra que tudo depende do ângulo que vemos as coisas. Podemos nos fechar numa visão de mundo, que tudo terminou, ou nos abrir para novas opções e rumos. A vida não é um jogo de cartas marcadas, podemos fazer nosso destino, basta não ficar achando que somos presos aos números. Espero ter ainda muitos setes na minha vida antes que este ciclo da vida termine.

Entrevistas no jornalismo

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Lembro de ter lido no livro ‘Vale a pena ser jornalista’, de Clóvis Rossi, onde o jornalista já fazia um alerta aos futuros profissionais: Esta é uma das profissões que mais cedo nos levam ao cemitério, em virtude das características deste trabalho, que exigem muito do profissional todos os dias. Embora todos os riscos nesta profissão, eu escolhi o Jornalismo e não me arrependo, mesmo que isso possa, talvez, abreviar alguns anos de vida, conforme previsão de Rossi. O jornalismo me proporciona momentos únicos na vida. Nestes mais de 20 anos de profissão, tenho realizado muitas entrevistas e reportagens. Recentemente, um estudante de Jornalismo me fez uma pergunta que não eu não consegui responder na hora, sobre a reportagem que mais me marcou.

Mas algumas entrevistas marcaram minha vida. Uma delas foi ter feito a última entrevista na cidade com o ambientalista José Lutzenberger ao lado do ex-prefeito Manoel Stringhini, e do engenheiro agrônono Fermando Bergamim, no Caisinho. Nela “Lutz”, olhando para o morro, que ainda era Morro da Hidráulica (que hoje leva seu nome) comentava a importância da preservação do verde.

Outra entrevista eu fiz há três anos, em março de 2014, na Zona Sul de Porto Alegre. Entrevistei o ex-preso político e ex-deputado Carlos Araújo, que acabou falecendo nesta semana. Ele me recebeu na sua casa, juntamente com os professores de História João Bosco Ayala Rodrigues e Bruno Silveira. Ele foi o último preso político da Ilha Pedras Brancas. Eu já tinha entrevistado Araken Vaz Galvão, o primeiro homem levado no período militar até o local.

Nesta profissão aprendemos todos os dias. Entrevistamos as mais diferentes pessoas e com elas temos lições de vida únicas e o desafio é sempre passar tudo isso, da melhor maneira, para o nosso leitor.

Mudanças de Ideias

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O filósofo alemão Immanuel Kant disse que “o sábio pode mudar de opinião. O idiota nunca”.

Na vida, muitas vezes, passamos por momentos onde ficamos sem reação. Lembro de dois momentos em uma dinâmica na sala de aula sobre verdades e mentiras. Uma menina confessou ser lésbica na frente de toda a turma. Era uma época em que os diferentes tipos de preconceitos era bem maior que hoje. Fiquei sem reação diante da forma como ela revelou sua opção sexual. Anos depois, vi ela com um marido e uma linda filha passeando pela rua.

Outra vez, também na sala de aula, a discussão na aula de Filosofia era sobre objetivos na vida e a missão de cada um com sua vida. Um dos estudantes simplesmente disse que não tinha objetivos ou sonhos na sua vida e destacou que ele não queria ser ninguém.

Nunca mais vi este aluno e não lembro da fisionomia dele. Gostaria de saber como é a vida dele hoje. Certamente mudou de ideia ou mesmo não mudando, alguma coisa fez  ou está fazendo.

Foram duas situações que mostram como cada um tem o direito de ser e pensar diferente e nada melhor que o tempo para ajustar as coisas e a nossa vida. Mas ainda bem que podemos amadurecer, com o tempo, e podemos trocar de ideias sobre a vida, política e o que de fato é a verdade ou as verdades existentes. Nisto tudo, o importante é o respeito pelas opções e  concepções de cada um.

Já dizia o nosso grande Guimarães Rosa: “O bom da vida é de que podemos mudar de ideias, concepções. Há pessoas fanáticas que se fecham numa visão de mundo e parecem ser as únicas donas da verdade. O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, mas que elas vão sempre mudando”.

Flores Amarelas

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A exemplo do meu pai, sempre gostei de flores amarelas. Conheço uma pessoa que associa cores aos nomes e, por coincidência, ela associa o meu com esta cor. Imagino como seria uma cidade que tenha somente árvores que tenham flores amarelas. Isso poderia ser monótono, mas na diversidade de árvores e flores iria trazer múltiplas espécies na cidade.

Comecei a imaginar como ficariam algumas ruas ou praças com ipês, alamandas, acácia amarela, orquídeas, ibiscus, lírios, rosas, entre outras opções. Diria um psicólogo ou psiquiatra que eu tenho algum problema. Talvez compararia ao pintor Vang Gohg que, em uma grande fase da sua vida, as suas telas predominava a cor laranja e mostrava um pouco da sua loucura ou problemas.

Aliás, todos temos problemas, às vezes dimensionamos demais os nossos. E quando achamos que o pior aconteceu, a vida nos prepara surpresas mais difíceis. Alguém já disse que as dificuldades vêm para nos fortalecer e nos ajudar a avançar na vida. As tempestades viriam para testar se nossas raízes estão firmes no chão.

Mas o amarelo é interpretado como a cor da felicidade, da sabedoria e da imaginação. “Uma tendência para o amarelo revela pessoas mentalmente intrépidas, que estão sempre em busca da novidade e de autossatisfação”, revela Betty Wood, no livro ‘As cores e seu poder de cura’.

Mas, enfim, sem julgamentos de motivos da cor. Uma cidade planejada e com flores alegra as pessoas e torna um lugar mais humano e feliz.

Na verdade, não gostaria de uma cidade de uma cor só, mas que tivesse uma identidade maior com o verde e flores. Da mesma forma como não podemos ter uma cidade de uma ideia única de pessoas plurais, diferentes, mas que saibam conviver em paz e busquem unicamente o bem de todos e não apenas o pessoal.

O inverno

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A estação do inverno me faz lembrar dias frios na minha infância. No inverno, uma das funções era levar o gado a pastar, depois da colheita do milho. Levava comigo um pedaço de salame, um pão e fogo. Assim, chegando ao local, acendia o fogo e passava algumas horas do dia no meio da lavoura na encosta dos morros, onde o silêncio se fazia presente.  

Sem rádio de pilha, muito menos celular, tentava me distrair com a rotina daqueles dias de inverno, com o fogo que aquecia as manhãs com geada.

Como ainda criança e adolescente, sonhava com muitas coisas na vida, mas nunca imagine-me fazendo o que faço hoje. A vida nos prepara surpresas todos os dias, nos apresenta caminhos, curvas. Nos deparamos com encruzilhadas nas quais não podemos nos omitir e temos que optar por um caminho.  

Decisões que alegram a alguns e desagradam a outros. Já citei várias vezes, mas curto um trecho do livro de Charles Kiefer, “Caminhando na chuva”, que bom seria se na vida, um dia, a gente pudesse voltar atrás de algumas decisões e mudar de caminho... Não me arrependo das difíceis decisões tomadas nas encruzilhadas da vida, embora tenhamos sempre dúvidas sobre nossas opções de vida. A vida segue.  

A vida imita as estações, alguns dias são mais frios, outros mais alegres ou tristes, ou como tem sido as estações, uma mistura de diferentes temperaturas em algumas horas ou dias.  

Que bom seria que a vida fosse uma eterna primavera, mas, infelizmente, depois dela vem outras estações e assim é a vida. O importante é sabermos lidar com as frustrações e curtir bem as coisas da vida e vermos sempre o lado bom de cada estação. 

 

De Mário Quintana: 

Se as coisas são inatingíveis... ora! 

Não é motivo para não querê-las... 

Que tristes os caminhos, se não fora 

A presença distante das estrelas! 

Reformas na educação

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Lendo matérias da Nova Folha Guaibense de 20 anos atrás, encontrei uma reportagem sobre a lei 9.394 que estabeleceu que a partir de 1997, os estudantes passariam a frequentar 200 dias letivos, contra os 180 dias anteriores.
Ingressei no Magistério em 1995 e posso confessar que o simples aumento de dias letivos não resolveu o problema da educação. Agora o Governo Federal, numa ampla divulgação na mídia, quer aumentar a carga horária no ensino médio, passando de 800 para 1.400 horas anuais, criando escolas de tempo integral de nível médio e colocando em segundo plano disciplinas como artes, filosofia e até mesmo educação física.
Ocupar o aluno, que tem entre 15 e 18 anos, dentro de uma escola durante o dia todo, não me parece a melhor opção para melhorar o ensino médio. Muitos estudantes, nesta fase da vida, já buscam algum estágio para conseguir alguma experiência profissional e ajudar a renda da família. Acredito que o governo deveria investir mais no ensino fundamental, com diversas opções de aulas no turno inverso e opções de aulas de música, dança, informática, entre outras, reforçando com recursos aos projetos Mais Educação e Mais Cultura nas escolas. Aqui no Estado tentou-se, mas com pouca adesão, o Ensino Médio Integrado que inclui disciplinas do Médio e prepara para o mundo do trabalho. Uma boa experiência vem sendo no Instituto Gomes Jardim.
No ano passado, alunos conseguiram boas notas no Enem e ingressaram na concorrida UFRGS. Mudar o ensino médio é uma necessidade urgente, pois ele não prepara para o mundo do trabalho, para a vida e muito pouco para o ingresso na universidade. Melhorias vão muito além de aumento de dias letivos ou horas/aula, mas de qualidade que passa pela melhor valorização do professor, com salários mais atrativos. Passaram-se 20 anos que o governo aumentou dias letivos, melhorou?
Cada governo que chega surge com novas ideias, mas poucas tem sólidas bases filosóficas e com isso não duram muito tempo e quem perde é a família e o estudante que quer um ensino de qualidade, que motive a criatividade, a inovação. A escola não pode ser um espaço apenas de reproduzir conhecimentos, mas de produção de novas ideias. Espero, daqui a 20 anos, não estar debatendo mudanças feitas de forma errada em 2017 e sim festejando os acertos tomados nos rumos do ensino no Brasil.

Jornal impresso não vai acabar

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Recebi, no último final de semana, a última edição impressa do jornal Correio Riograndense, um dos mais antigos e importantes jornais gaúchos que, depois de 108 anos, passa a ter somente edição digital. Esse foi um jornal que marcou a minha infância, pois lembro do meu pai, mesmo longe da cidade, no interior do Estado, receber esse jornal e lia atentamente as notícias, fazendo dele, embora com poucos anos de sala de aula, um excelente conhecedor da geografia do país.
Acredito que, apesar das redes sociais e facilidades da divulgação das notícias pela internet, na força e da importância do jornal impresso, principalmente nas pequenas cidades, onde os jornais cumprem um papel fundamental no registro da história das comunidades.
Talvez hoje não tenhamos condições de dimensionar ou muitas pessoas que faziam jornais há mais de 100 anos, quando o jornal era basicamente texto, de como foi importante a existência de um veículo de comunicação.
Guaíba, por exemplo, grande parte da história da cidade foi e está sendo contada pelos jornais. Quem apoia o jornalismo impresso está, de certa forma, contribuindo na preservação da memória, na melhoria da comunicação e reflexão sobre os rumos do município. O jornalismo está se adequando à nova realidade e o jornais impressos também buscam seu espaço no meio da força da internet.
A jornalista e escritora Conceição de Freitas diz que “O jornal de papel não vai acabar, porque ele é matéria palpável da vida”. Conforme ela, “a virtualidade, elevada à máxima potência, vai nos fazer dar de cara com o vazio. Aí, amigos, vamos querer recuperar a materialidade do mundo real, com o que de belo e cruento há nele”.

Nova Folha Guaibense, 24 de fevereiro de 2017

Pelo outono

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Outono é outra primavera, cada folha uma flor. Albert Camus
Inicia nesta segunda-feira, precisamente, às 7h29minutos, uma das estações mais agradáveis: o outono. As temperaturas mais amenas e o colorido da vegetação sempre inspira artistas, como poetas, escritores, músicos, fotógrafos ...
Recordo que passei os primeiros anos da minha vida rodeado de plátanos e parreiras. Sempre gostei de ver, após a colheita da uva, a cor das folhas das parreiras e das enormes árvores de plátanos que, após fazerem sombra no verão iam, aos poucos, caindo as folhas, cobrindo a grama.
Assim como o ano tem suas estações, a nossa vida também é feita de mudanças. Ora, a vida parece um eterno inverno (ou inferno), mas logo pode vir uma primavera, ou momentos que lembram mais um verão ou outono.
Durante uma hora, um dia, semana, mês ou ano passamos por diferentes estações, da alegria, da tristeza, da dor, do amor, mas o importante no meio de tantas fases da vida, é termos um foco e clareza do que estamos fazendo com a nossa breve passagem pelo mundo.
O filósofo Gunter Anders escreveu que em nossa vida “não é suficiente transformar o mundo. Isso fazemos de qualquer modo. E, além do mais, isso acontece até mesmo sem a nossa ação. Nós temos também que interpretar esta transformação. E, na verdade, para modificá-la, a fim de que o mundo não continue a mudar sem nós e não se transforme, afinal, em um mundo sem nós”.
Temos uma opção: O mundo mudará com ou sem nós. É preferível que ele mude e para melhor com a nossa participação e contribuição, por menor que seja. Cada um doando-se um pouco, poderemos viver em uma sociedade mais humana e justa.

17 de março de 2017

Dia do Repórter

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Na quinta-feira, 16, lembramos o Dia do Repórter. Numa época onde tudo é divulgado nas redes sociais, é cada vez mais importante o trabalho do repórter, que tem a função de elaborar textos jornalísticos, analisando a veracidade dos fatos, para transmitir acontecimentos da melhor forma possível, mostrando a verdade sempre. A palavra repórter vem do verbo latino ‘portare’, ou seja, ‘trazer do porto’, ‘levar ao porto’, sentido primitivo que depois se desdobrou em outros significados semelhantes, como conduzir, acompanhar, enviar.
As novas tecnologias vêm auxiliando o trabalho jornalístico, tornando tudo mais rápido, o que, muitas vezes, na pressa de divulgar um fato em primeira mão, comete-se erros e injustiças. Hoje, nas redes sociais, muitos tentam ser “repórteres”, divulgando fotos e informações que extrapolam do limite da ética. Entre os exemplos, estão fotos de acidentes de carro que mostram as vítimas, que muitos jornais impressos ou virtuais, com repórteres que passaram pelo curso de jornalismo, evitam publicar em respeito às famílias.
Tinha razão o escritor italiano, filósofo e semiólogo Umberto Eco, falecido em 19 de fevereiro do ano passado. Segundo ele, as redes sociais vêm dando o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. Conforme o autor dos livros ‘Viagem na Irrealidade Cotidiana’, ‘O Nome da Rosa’, entre outros, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior. Conforme ele, “o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, acrescentou.

Rotina alterada

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A vida nos apresenta desafios e surpresas a todos os momentos. No último domingo, tinha diversos planos, mas tudo mudou ao acordar, caminhar pelo jardim e visualizar, ao longe, pela grade, um cachorro amarrado por um pedaço de fio de energia elétrica, quase enforcando o animal, na grade de casa.
Para minha surpresa, não era apenas um cachorro, e sim um animal doente, quase morrendo em virtude da fome e de inúmeras doenças. Logo dei comida e tentei, em vão, buscar apoio de entidades ligadas a proteção aos animais e a prefeitura.
Como era domingo, ficou mais difícil de encontrar ajuda. Mas, para a minha surpresa, alguns vizinhos, alguns até então desconhecidos, pelo pouco tempo que resido na rua, apareceram para contribuir. Cada um colaborou como pode e assim compramos medicamentos, corrente, buscando amenizar a dor do animal.
No mesmo dia conseguimos apoio de uma mulher, que prefere não se identificar, um anjo da causa animal, que retira cachorros das ruas. Mais uma vez não mediu esforços para fazer curativos no cachorro e vem fazendo isso todos os dias da semana.
A cachorrinha, provavelmente com menos de um ano de vida, agora tem um lar provisório, alguns pretendentes para adoção, muito carinho e um nome: Bella. A Bella apareceu para mudar a rotina e os planos do último domingo, reaproximou vizinhos e nos mostrou que Guaíba precisa pensar melhor em seus animais.
É dificil entender qualquer agressão à vida humana e aos animais. Não sei quem deixou o animal no portão de minha casa. Provavelmente teve fortes motivos. Seja quem for, se seu objetivo era proporcionar uma vida melhor para a Bella, conseguiu.
Já dizia Ghandi: “a grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como tratam seus animais”.

Tive um sonho

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Na noite passada tive um sonho. Estava viajando de carro de Pelotas para Porto Alegre, uma rotina de todos os meses. Mas desta vez aproximando-me da Capital, vejo uma enorme foto estampada em um outdoor nas margens da BR 116, registrando um lindo amanhecer, algo que nunca tinha visto e uma frase: Visite Guaíba e contemple paisagens como esta.

Logo adiante outra foto da orla de um grande rio e assim sucessivas imagens até chegar numa elevada. Ao longe enxergo um bonito pórtico, feito de pedras e madeira, lembrando casas do século XIX. No alto os dizeres: Visite Guaíba: Cidade Berço da Revolução Farroupilha.

O dia recém clareou, parece ser um local simpático e agradável de conhecer e resolvo entrar na cidade. Passo pelo pórtico, vejo muitas flores no canteiro da avenida principal.

Diversas placas de madeira indicam o nome das ruas e de como chegar ao Centro. Vejo diversas pessoas caminhando nas calçadas e uma ciclovia. Sigo a sinalização e entro numa outra rua, chamada São José, com calçadas largas, com vasos de flores e bancos. No alto da rua passo por um bonito calçadão e um pequeno chafariz, fazendo lembrar uma cidade da serra. No local é possível ver ao longe um lago. O sol reflete em uma embarcação que parece transportar pessoas, transformando um belo visual naquela manhã de sábado.

Desço a rua. Uma bonita praça e dobro à direita, observo uma imagem única, parece com cartões postais da Europa. Diversas palmeiras, alguns plâtanos embelezam a orla. Estaciono meu carro para poder caminhar um pouco e apreciar essa bonita paisagem e o lindo amanhecer. Mas quando abro a porta do carro e coloco o pé no chão acabo torcendo-o. Neste momento caio da cama, acordo para a realidade e percebo que estava somente em mais um sonho.

Começo a pensar: será que tudo isso é um sonho, ou algum dia essa cidade dos sonhos poderá virar realidade? Muito avançou-se, mas há muito a fazer ainda.

 

Publicado no Jornal Nova folha de 06 de fevereiro de 2015

Formaturas incompletas

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Na vida nunca estamos formados, apenas nos aperfeiçoamos, amadurecemos e conseguimos, com o tempo, novos conhecimentos. Como educadores também sempre temos muito a aprender, com os alunos, com os pais, colegas e, principalmente, com os livros. Como dizia Paulo Freire, ninguém sabe mais do que ninguém, o que existe são saberes diferentes.

Estive, na noite de sábado, participando de mais uma formatura de alunos da escola onde atuo, há quase duas décadas, como professor. Cada formatura é momento de muita emoção e serve de avaliação para o trabalho que realizamos. Participamos da vida, da formação de jovens, podemos abrir ou fechar caminhos. Isto é uma grande responsabilidade.

Tive somente uma formatura em todas as etapas de ensino fundamental, médio e superior, na graduação de Filosofia. Felizmente, no jornalismo, tive a oportunidade de participar de uma solenidade, e nada mais gratificante poder ter a presença dos pais naquele momento tão importante para mim, mas principalmente para eles. Foi uma forma de mostrar e dizer que valeu apena eles terem acreditado em mim e terem apoiado os rumos que tomei da minha vida.

Na noite do último sábado, durante a formatura, queria ter dito muitas coisas, mas não consegui dizer muito, ou melhor, não disse muitas coisas que gostaria de ter dito a cada um dos jovens formandos.

Gostaria de ter relembrado duas frases que mais tenho comentado com eles durante o ano, a de Roland Barthes: "O profissional nota 10 é aquele que acrescenta dois pontos de esforço, três pontos de talento e cinco pontos de caráter" e a de Confúcio: "Trabalhe com aquilo que gosta e não terá que trabalhar um dia sequer na vida".

Um abraço a cultura da cidade

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No dia 27 de março lembramos o Dia do Cinema Gaúcho e Dia do Teatro. O teatro é uma forma de expressão que atravessa séculos, já o cinema é mais recente, consolidou-se no mundo há pouco mais de um século. Particularmente gosto muito do cinema, pois, de certa forma, com ele lidamos com todas as artes, temos o teatro, a música, a fotografia, entre outras, tornando-se, por isso, a chamada Sétima Arte. Guaíba já teve um grande festival na área do teatro que deve ser retomado neste ano, tem um Festival de Vídeo Estudantil e Mostra do Cinema, que é pioneiro no Brasil, isto não dito por nós, guaibenses, mas por um professor da Universidade Federal de Pelotas, que esteve no evento no ano passado. Estudos, por ele realizados, mostram que o de Guaíba é pioneiro em abrir espaço para produções exclusivamente de estudantes de escolas de nível fundamental, médio e técnico. O evento completa, neste ano, 13 anos. Coincidência é de que o Festival começou em 2002, ano que o prédio do antigo cinema inaugurado em março de 1917, foi demolido para abrigar um supermercado.

Guaíba, há décadas, deixa a desejar em investimentos para espaços destinados a cultura. Inúmeras tentativas para novos espaços não saíram do papel. Um dos prédios mais antigos da cidade, o antigo Matadouro Municipal, da antiga Pedras Brancas, que já passou por diversas finalidades, sendo a última o Mercado Público, transformar-se no Mercado da Cultura. Há mais de uma década, o projeto não sai do papel e agora parece que, definitivamente, teremos um local para as diferentes manifestações culturais. Neste domingo, Guaíba vai abraçar o Mercado Público, numa demonstração de amor a arte e ao desejo de que esse não seja mais um projeto, mas possa ser concretizado. Para isso precisamos da união de forças, de boas energias para que Guaíba possa ter um espaço a altura dos seus artistas e dos moradores.

Mais jardins e menos cimento

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Com o calor excessivos das últimas semanas, como é bom termos uma sobra para nos abrigar. O cimento toma conta das cidades e parece que a temperatura aumenta com o sol batendo no asfalto. Hoje é mais prático, ao invés de flores ou árvores, colocar cimento no pátio ou nas ruas da cidade. Não há necessidade de cortar grama ou incomodar-se no futuro pelo fato de ter plantado uma árvore e agora não poder cortá-la ou até mesmo podá-la.

Algumas leis, criadas com objetivo de preservar a natureza, acabam inibindo o homem a plantar árvores e a ter mais verde ao redor de suas casas. Quando era criança, todos os anos na época do pinhão, nossos pais nos obrigavam a pegar sacolas de sementes e sair pelo campo para plantá-las. Como era bom poder, após alguns anos, encontrar diversas árvores que resistiram as formigas e crescerem no meio das pedras e de outras árvores.

Hoje, voltando para a região da serra, não se vê ninguém plantando esta árvore, pelo contrário, opta-se por árvores cuja legislação é mais flexível no momento do corte.

Na área urbana, vive-se o mesmo dilema. Deixar uma árvore nascer ou plantar é complexo.

Representa uma vida toda tendo que dar explicações para podas ou na necessidade de corte. Mesmo diante de tudo isso, prefiro correr o risco de incomodar-me. Planto, onde posso, árvores e flores. Acabei plantando duas araucárias, vindas da serra, no meu jardim. Sei que um dia posso ter problemas. Não importa. Como é bom ver que aquela flor ou árvore plantada serve de sobra ou refúgio para pássaros, borboletas ou insetos. Ao escutar o cantar de um pássaro, de uma cigarra ou ao ver o voo de uma borboleta, sinto como se fosse uma forma deles dizerem um muito obrigado por deixar o verde crescer no meio a tanto cimento e prédios de uma cidade. Já disse o filósofo Francis Bacon, que "Deus Todo-Poderoso foi quem primeiro plantou um jardim. Na verdade, plantar jardins é o mais puro dos prazeres humanos, isto é, aquele que constitui maior repouso para o espírito do homem. Sem jardins, edifícios e palácios não passam de construções grosseiras".

As três peneiras

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O pensador e filósofo grego Sócrates, não teria escrito nada em vida O que sabemos sobre ele teria sido escrito por seu aluno Platão. Mas há uma história atribuída a ele que nos faz pensar sobre as palavras.

Um homem procurou um sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando o pensador perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira.

Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira.

Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar.

 

Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque: Pessoas sábias falam sobre ideias; pessoas comuns falam sobre coisas; pessoas medíocres falam sobre pessoas.

Quem paga a dor?

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Existem tragédias que deixam marcas pelo resto da vida. A morte natural até que aceitamos, mas a abreviação da vida através de acidentes, afogamentos, desastres naturais, é difícil superar. Vivenciei isso com a perda de um irmão há duas décadas, na BR 116, no trevo de acesso à Cohab.
Os culpados pela morte saíram ilesos. A justiça humana não condenou o responsável pelo acidente.
Tragédias deixam marcas profundas para familiares e amigos. É uma dor que não há tempo que possa curar. Levantamento feito pela Nova Folha Guaibense mostra o grande número de mortes no trecho entre Guaíba e Eldorado do Sul.
Nos últimos sete anos foram 33 mortes e mais de 800 acidentes. Um dos mais trágicos, na virada do ano passado, tirou a vida de quatro pessoas de uma mesma família. Fatalidade? Destino? Acredito que não.
O ser humano cria condições para que coisas boas ou ruins ocorram durante nossa existência. Tantos carros nas ruas, estradas ruins e motoristas despreparados acabam provocando mortes no Brasil que fazem lembrar as piores guerras. Todos os anos, são mais de 40 mil vítimas no trânsito no Brasil, isso representa dez vezes mais o número de pessoas que morreram nas torres gêmeas nos EUA.
O Brasil é o quinto país do mundo em mortes pelo trânsito e o número não para de subir. Um problema que também atinge a economia do país com gastos para o tratamento das vítimas de acidentes.
Em Guaíba, felizmente diversas ações vêm sendo tomadas, como a duplicação da BR 116.
Por que deixar que as tragédias ocorram, ano após ano, para depois tomar as medidas? Essas obras poderiam ter sido realizadas há mais tempo, talvez muitas mortes tivessem sido evitadas.
Um bom exemplo foi a construção do viaduto no acesso a Guaíba. Desde a inauguração da obra, em 2009, o número de acidentes no trevo foi praticamente zero.

Não podemos mais esperar

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Um dos últimos grandes espaços para eventos da cidade foi a construção do Ginásio do Coelhão, na administração do Dr.  Ruy Coelho Gonçalves.  A população de Guaíba era bem inferior na época, levando  em conta que Eldorado, Mariana Pimentel e Sertão Santana integravam o município de Guaíba. Qual foi a outra grande obra voltada para a cultura e o lazer que a cidade ganhou nas últimas décadas?

Hoje, os projetos existentes de novos espaços são um miniauditório no Mercado Público e na Câmara de Vereadores que não passam de 200 lugares cada um. Aliás, os dois já poderiam estar prontos, as reformas iniciaram e pararam. Construir dois espaços pequenos, embora sejam necessários, não irão atender as necessidades para médios e grandes eventos . 

 Guaíba precisa de um local para mais de 500 pessoas, para abrigar  eventos  já solidificados na cidade na área do teatro,  cinema, música, além de poder entrar no roteiro dos grandes espetáculos  estaduais e nacionais. Cidades bem menores e com menos recursos têm espaços melhores que Guaíba. Recentemente, Novo Hamburgo, embora seja uma iniciativa privada, inaugurou um auditório para 1800 pessoas.

 Voltando no tempo, lembro que em 1917, na antiga Pedras Brancas, com população inferior a 10 mil moradores, havia o Teatro Gomes Jardim que tinha capacidade para cerca de 300 pessoas.

Guaíba, com cerca de 100 mil pessoas, tem uma sala no Museu Carlos Nobre com 80 lugares. Hoje, para cada evento, a  prefeitura  aluga, na maioria das vezes, uma estrutura coberta.

Se levarmos em conta o que já foi gasto nas últimas décadas em locação para eventos que poderiam ser efetuados em locais fechados, daria para dar início ou talvez até construir um  grande teatro.

Com o aumento do fluxo de turistas e para os moradores, Guaíba precisa pensar num grande Centro de Eventos. Com o retorno da travessia fluvial, as pessoas estão chegando na cidade e poderão voltar uma, duas ou mais vezes, se aqui existirem boas opções de lazer e de cultura.

Os guaibenses estão cansados de tantos projetos que têm ficado no papel nos últimos anos, precisamos de realizações.

 

A cidade dos sonhos

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Às vezes sonho com uma cidade. Nela, as ruas são floridas e há bonitas árvores. Uma cidade bem planejada onde posso caminhar tranquilamente pelas calçadas   (sem buracos) de dia ou de noite, sem medo de ser assaltado.

Sonho com um local com um bonito teatro e cinema, onde possa enxergar os talentos da cidade, conferir grandes espetáculos e filmes...Sonho com uma cidade mais limpa, sem lixo nas ruas, com um lago menos poluído onde possa tomar banho e navegar.

Sonho com uma cidade onde possa construir uma família, sem medo da violência provocada pelo trânsito ou das drogas. Um local onde possa encontrar mais sorrisos do que lágrimas. E, caso elas existam, que sejam de alegrias por conquistas e reencontros.

Um local que não haja preocupação por falta de empregos ou moradia. Que nas ruas possa ver pessoas educadas, que respeitem a sinalização, que peçam licença, que digam bom dia, olá...

Sonho com uma cidade onde as pessoas sejam mais unidas, que a única briga seja pela justiça social, pelo bem comum e não o interesse próprio. Uma cidade de quando venha a sair, tenha saudade para voltar.

Essa cidade dos sonhos pode ser Guaíba. Ela tem o potencial. A cidade dos sonhos pode ser construída aos poucos, por todos nós. Como diz Nicholas Sparks, no Diário de uma Paixão: “Embora você possa me chamar de sonhador, de tolo ou de qualquer outra coisa, acredito que tudo é possível”. Na vida nada acontece sem antes ter sido sonhado. Você pode estar pensando ou dizendo “vai sonhando, essa cidade não existe e nunca existirá”. Mas eu, enquanto viver, vou sonhar com uma cidade melhor, não apenas imaginar, mas lutar para que ela fique mais humana, mais bonita e agradável.

Como dizia Bernard Shaw: Você vê coisas e diz: “Por quê?” Mas eu sonho coisas que nunca existiram e digo: “Por quê não?”

O Dia do Silêncio

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Entre tantas datas, chama a atenção o Dia do Silêncio, lembrado no dia 7 de maio. Os antigos gregos e romanos fizeram de Harpócrates o deus do silêncio. Hoje, mais do que nunca, no meio a um  mundo cheio de ruídos, o silêncio é essencial para o bem-estar.  

Uma história contada por Mahatma Gandhi nos faz pensar sobre isto. Diz que um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - Questionou o pensador.

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

- O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam.

A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Por fim, o pensador conclui, dizendo: “Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta”.