José Antonio Coutinho

A bomba

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Desde o início da vida humana na Terra, e não faz muito tempo diante do infinito,  existe a agressão do homem contra o homem.  Até parece que este ser alegadamente inteligente não é muito afeito a seu semelhante. Por isso, qualquer motivo é motivo para agressão e para morte de seu antagonista.

As guerras sempre existiram. E será através da guerra que, num dia destes, começará a destruição deste Planeta que abriga a dita vida inteligente. O que será apenas o gran finale de uma raça de seres que jamais aceitaram a paz , a harmonia e o amor ao próximo.

Hoje se sabe que muitas nações estão armadas com bombas de potencial terrível de destruição. São as ditas armas nucleares, que podem acabar com a existência de toda a civilização montada há vários séculos. Afora, é claro, as armas químicas, que, se usadas  também,  farão deste planetinha um deserto eterno.

Hoje vivemos no fio da navalha, ou seja, podemos deitar à noite e acordarmos debaixo do mau tempo, sem celular (porque dependem de satélites para funcionar), sem TV, sem internet, enfim sem nada, porque os objetivos militares destruirão esses inventos, criando um caos danado. Aí voltaremos, os que sobrarem, à idade da pedra lascada.

Como dito, deitaremos inteiros e amanheceremos todos fritos e sem mais nenhuma utilidade.

Piedade

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Uma das palavras mais significativas, no meu entendimento, que possa representar a humanidade é a palavra piedade.

Um ser piedoso é aquele que vê em tudo o que o cerca uma oportunidade de praticar o humanismo, sendo que humanismo significa ter em conta que os semelhantes merecem, todos, um olhar mais atento e mais voltado para o interior do que para o exterior das criaturas.

Todavia, como há uma ideia arraigada de que o bem deve ser pago com o bem e o mal com o mal, vive-se, diuturnamente, esse conflito estúpido que leva as pessoas a se odiarem, a se esquivarem umas das outras. Tudo é uma questão de aprendizado, exceto nos casos em que a genética do indivíduo é voltada, por um defeito qualquer da natureza, para o ódio estruturado na ignorância.

Até parece que estou buscando uma utopia, qual seja, que todo ser humano tenha em conta que seus semelhantes sejam perfeitos.  Ninguém é perfeito.  E se caímos neste mundo, até hoje não bem esclarecido, é porque carregamos, cada um, a missão de buscar o sentido da vida e ao mesmo tempo o modo mais claro e humano de conviver.

Ser piedoso é ter o perdão dentro de si mesmo, perdoando seus próprios defeitos.

O ontem e o hoje

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Nós, os brasileiros, somos frutos de uma descoberta mal contada. Uns dizem que o Brasil, que era chamado no início Ilha de Vera Cruz (pensavam que era uma ilha), depois Terra de Santa Cruz para, finalmente, mais adiante, ao acharem uma frondosa árvore de cor avermelhada, o tal de pau-brasil definirem, eles os portugueses, o nome definitivo: Brasil.

Pois como eu falava, uns dizem que foi uma descoberta casual, outros que foi uma descoberta planejada. Ora, se casual ou planejada não vem ao caso, o que interessa é que este País já começou mal das pernas desde o início. Isso porque o que interessava ao colonizador europeu era a imensa riqueza da terra e não a criação de um povo correto, ético e com moral elevado.

Tanto é verdade que lotearam a terrinha dividindo-a em lotes enormes, chamados capitanias hereditárias, e deram cada lote a uma família portuguesa que para cá trouxe uma imensa ralé, que em Portugal não servia para nada. Uns se deram bem, outros se deram mal. Uns foram corridos pelos índios, outros foram até comidos pelos mesmos. Isso porque havia aqui o canibalismo.

Quando a família Imperial fugiu de Napoleão, aqui se serviu e se sentiu à vontade: do alto de seus Palácios apreciavam a linda terra e usufruíam da ignorância do novo povo. Até parece, hoje em dia, que aquela época ainda se faz presente, é só olhar e ver.

A estrada do Conde

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O nome é nobre, mas a buraqueira é miserável. E não adianta tapar buracos, pois como diz o velho ditado “não se costura pano novo em pano velho”, porque isso é apenas um paliativo.

O que é preciso é uma nova estrada, um asfalto de qualidade e que resista ao tempo e ao peso dos veículos que por ali transitam.

Conheci a estrada do Conde quando era puro chão.  Era poeira mesmo. Quando ainda havia uma ponte de madeira, lá perto do Instituto de Pesquisas. Todavia o trânsito era mínimo, mais carroças que automóveis, mais bicicletas numa estrada quase sem movimento algum. Era uma desértica estrada, com seus eucaliptos formando uma espécie de túnel a céu aberto.

Hoje é uma via perigosa, eis que o trânsito ali é intenso, a correria é grande, os motoristas desavisados são muitos e a imprudência não observa que um pequeno buraco pode causar um grande dano ao carro e especialmente à integridade física das pessoas.

Quem sabe um dia, quando a consciência dos administradores dos Municípios de Guaíba e de Eldorado do Sul, num momento de cidadania e de resposta aos impostos que são arrecadados para retorno em benefícios à população, façam a parte que lhes toca.

Até lá, a esperança é a tônica porque senão estaria tudo perdido. Vamos esperar que nada de grave aconteça, pois uma vida vale mais do que algumas toneladas de asfalto.

A arte da cola

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Tenho um amigo de longa, longuíssima data. Fomos crianças juntos, tivemos a adolescência juntos e estudamos na mesma aula, no ano de 1957, no Colégio Nossa Senhora das Dores, ali na rua Riachuelo, em Porto Alegre.

Naquela época, belíssima época, sem qualquer saudosismo piegas, vivíamos uma aventura sem medo, sem receios a todo momento e mais que tudo, tínhamos a ingenuidade de que o mundo era um mar de rosas e que tudo se resumia a viver a vida como se fosse uma grande brincadeira.

Para estudar em Porto Alegre, pois Guaíba não tinha o chamado Ginásio, eram usadas as barcas, que levavam aproximadamente meia hora ate o outro lado do rio, ali no bairro Assunção. Era uma turma enorme e descontraída e entre estes estava o Gaston Leão, o GUI, este amigo de sempre.

Pois o GUI sentava na mesma classe que eu e, eventualmente, quando a matéria não era bem preparada usava-se da famosa cola para pesquisa oportuna. Digo que o GUI colava de um Atlas, que era enorme (mas essa historia não e verdadeira, pois quem colava era eu, sob a vista grossa do padre) e assim nos formamos no Ginásio.

OBS. A formatura foi no Teatro São Pedro. E pouco?

País Casto

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Poderia este texto ter outro título, tal como O PAÍS GASTA. Mas, dei preferência ao primeiro, porque neste segundo os homens que o compõem muito embora tenham aparência casta são uns perdulários de marca maior.  

Toda República, e isso é histórico, teve em seus governantes os maiores aproveitadores das benesses, das facilidades, dos recursos para atingir suas necessidades básicas, ou seja, o máximo de conforto possível sem gastar um centavo de seu próprio bolso.  

Mas no que tange à castidade, me vem a memória a célebre frase do grande Santo Agostinho, o Bispo de Hiponae um dos Doutores da montagem do Cristianismo tal qual o conhecemos hoje. Disse Agostinho: “Deus, concedei-me a castidade, mas não agora”. Ou seja, deixe-me gozar a vida.  

Um País, uma República seria uma ficção, ou seja, não existiria se não tivesse um território definido, uma população e uma representação política para administrar o todo. Um País, como território, é casto. Entretanto, nos dois outros componentes não se pode colocar a mão no fogo.  

Pecunia non olet”, alardeavam os romanos antigos. O dinheiro não fede, numa tradução livre. Aqui o dinheiro tem o aroma de perfume francês: irresistível. 

 

 

Espírito Santo

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Não sou teólogo, nem padre, nem pastor, nem doutrinador e nem exerço qualquer atividade de cunho religioso. O que sou é o que sou, ou seja, um estudioso, um pesquisador da história da humanidade e seus desafios.

Pois bem, é dito e sabido pelos entendidos na religião cristã que Deus é trino. Isso quer significar que seria constituído de três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Todos em um e um em três. Meio esquisito isso, mas é bem assim.

O hinduísmo tem essa mesma proposta, Brahma, Vishnu e Shiva. Mas o hinduísmo é bem anterior ao cristianismo, séculos antes, e quem sabe teria influenciado o cristianismo que tem apenas dois mil anos de idade, enquanto o hinduísmo tem mais de cinco mil anos.

Mas o que eu quero dizer é que muitas pessoas acreditam no Espírito Santo sozinho, fazendo a sua obra milagrosa e arregimentando sectários em todas as classes sociais. E esquecem-se do triunvirato.

Mudando um pouco do Espírito Santo da trindade para o Espírito Santo, Estado que se localiza ao lado do Rio de Janeiro, é de se lamentar o que lá se está passando: retirar a polícia das ruas é dar margem a que tudo aconteça com boas ou más famílias. Saques de toda ordem, anarquia generalizada. Caos. Brasil. E haja Espírito Santo para suportar tudo isso.

Política

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Um dos assuntos que me intriga, mas  que não gosto de abordar é a política. Isso por dois motivos relevantes. Primeiro: a maioria das pessoas não entende absolutamente nada de política. Segundo: eu também não. Portanto, falar sobre política e sobre políticos não é nada fácil, porque envolve um labirinto de usos e costumes que nada têm de seriedade ou que visem o bem comum. Pois então, política a grosso modo é administrar as coisas do Estado para todos os cidadãos independentemente de situação social, econômica, filosófica, raça ou cor do cabelo.

Claro está que existem exceções, mas isso se conta nos dedos de uma só das mãos. Mesmo porque, em alguns países que permitem obter vantagem em tudo e a todo momento, a política é um prato cheio para tais objetivos. É o melhor meio para atingir a tão almejada fortuna através do poder que a política confere por ser mal entendida. Mas o que me conforma é que durante toda a história da humanidade a política foi, indiscutivelmente, o melhor meio para atingir o poder e dele abusar sem muito escrúpulo.

Portanto, os que se submetem aos ditames da política, ou que pretendem participar da mesma com alguma seriedade devem ter alguns cuidados, entre estes não se contaminar com uma atitude chamada corrupção: dinheiro, para ficar por aqui.

Mortes em Cadeia

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Uma das coisas mais certas neste mundo é a morte. Tudo aquilo que nasce mais cedo ou mais tarde acaba deixando este mundo, de um modo ou de outro, sem se saber ao certo para onde vai. Assim caminha o universo ao longo de toda a sua existência. Se é que há uma existência tal qual possamos imaginar. Neste velho Planeta já passaram bilhões e bilhões de pessoas que, com expressão ou não, viveram suas vidas do melhor modo possível: ricos, pobres, bonitos, feios, inteligentes, menos inteligentes, pretos, brancos, amarelos, enfim, todos de acordo com suas características essenciais.

Muitas guerras mataram muitas pessoas. Muitas pestes mataram muitas pessoas. Muitos acidentes mataram muitas pessoas. Muitas pessoas, por banalidades, mataram muitas pessoas. Assim, pode-se concluir que morrer é uma possibilidade imediata, a qualquer momento, em qualquer lugar e por qualquer motivo. Nas cadeias brasileiras estão matando como quem mata porcos. Lá, naqueles locais infectos, imundos e piolhentos, as pessoas animalizadas num mundo banal e sem perspectivas, não têm mais o sentido da humanidade: a crueldade tomou conta do dito civilizado.

Quem é o culpado?  Ninguém, porque a morte espreita a cada esquina do mundo.

Sobrevivência

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Todo ser vivo, para viver, tem que se alimentar. Se isso não se realiza, o ser vivo definha e acaba morrendo. É a lei da vida: comer para não morrer. Isso ocorre com todos os seres, incluindo animais, vegetais e até mesmo aqueles seres que não apresentam aparência de vida mas que na realidade estão vivendo e assimilando seus alimentos, por mais exóticos que sejam.

Mas para que exista essa sobrevivência é necessário que alguma coisa, que chamamos alimentos, sofra o sacrifício da morte. Ou seja, o alimento é, sem exceção, matéria abatida por nós, de um modo ou outro, para servir nossa continuidade no que chamamos vida. Então abatemos bovinos, suínos, aves de toda sorte, peixes da mais variada casta, enfim tudo aquilo que possa fornecer a dita proteína para sustentar o corpo físico.

Também, e pode parecer meio esquisito, mas as frutas, os legumes, as verduras são todos coisas vivas que acabamos deglutindo. Na mesa, um bom bife, uma galinha assada, um peixe na grelha, um peru suculento, uma picanha no ponto, uma costela minga, um pernil de porco, uma paleta de ovelha bem assada, tudo de dar água na boca. Poder-se-á dizer, então, que a vida vive da morte.

Ano Novo

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2016 está terminando. Chega agora o 2017. o 2016 foi bom para alguns, médio para outros e péssimo para muitos. foi um ano de amarguras, de alegrias e de tristezas, como sói acontecer todos os anos. Mas a esperança, que é a última que morre, como diz o ditado popular, volta a se fortalecer com a chegada do novo ano, este repleto de perspectivas alentadoras e de ideias fortalecidas pela experiência adquirida no ano findo.

Nós, os humanos, temos sempre em mente que tudo possa melhorar ali mais adiante, mas para isso é necessário trabalho árduo, estudos, compenetração e uma forte dose de imaginação, sem a qual nos tornamos meros robôs à mercê dos acontecimentos. Um novo ano descortina novas metas.

Um novo ano abre caminho para aventuras neste nosso Planeta tão machucado pelo desleixo, pela desconsideração de tantos quantos estão destruindo sua própria morada e, por consequência, deixando um péssimo legado aos que virão mais adiante. Mas, e para isso a conscientização é fundamental, se todos se interessarem em viver suas vidas em harmonia, a viver suas vidas com mais conforto, a viver com mais ética, é preciso alta dose de tolerância. Senão o novo ano será mera repetição do anterior.

Cadeias

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O Brasil está repleto de condenados e está totalmente deficiente de cadeias. Primeiro, quando digo cadeias quero dizer lugar de cumprimento de penas e não lugar de deprimente escola de formação superior para delinquentes.

Segundo, o Estado - dividido em seus vários poderes, Judiciário, Legislativo e Executivo - , não executa seu serviço em harmonia, buscando, cada um desses poderes, exercer sua prestação a seu bel talante , muito embora a existência de Leis, normas, etc. e etc.

É, com todo respeito, uma disputa de beleza, onde cada um desses poderes se acha maior, melhor e, acima de tudo, o dono da situação. O que, na realidade, é de uma pobreza de dar dó.

Terceiro, todo País que se diga honesto e que tenha acima de tudo respeito aos seus cidadãos, deveria colocar a educação em primeiro lugar em todas as agendas. Isso porque somente a educação conduz o ser humano a algum lugar, ao menos mais tolerável.

Até ouso dizer que dever-se-ia valorizar muito mais os professores, com bons recursos, com melhor formação e com tecnologias avançadas, inclusive em áreas humanas e psicológicas, para atender não a periferia do indivíduo, mas seu caráter, sua personalidade.

Melhor seria pagar o salário de um Juiz para um professor e o salário de um professor para um Juiz, pois aquele evitaria que este viesse a condenar pessoas desnorteadas.